Setembro 2007


Quem matou a Thaís? Essa foi a pergunta mais ouvida nas últimas semanas, virou até enquete na aula de Técnicas de Reportagem. E como sempre, o autor Gilberto Braga esperou até o último capítulo de “Paraíso Tropical” para revelar o tão esperado segredo. Olavo (Wagner Moura) era o assassino. A reação dos telespectadores não foi o esperado, de curiosos eles, rapidamente, passaram a desapontados. Todos esperavam um fim dramático, com um assassino que ninguém desconfiasse, porém acabou sendo o mais clichê possível. Mesmo assim a novela alcançou média de 56 pontos de audiência.

A trama que começou sem empolgar, termina com motivos inventados de última hora para tentar validar um desfecho de uma história sem pé nem cabeça. Ivan (Bruno Gagliasso) ser filho do Antenor, totalmente sem noção. Mas o pior foi ver Marion (Vera Holtz) como camelô e Alice (Guilhermina Guinle) como gari. Será que o autor considera um castigo ganhar a vida dessa forma? Pagar pelos crimes na cadeia está fora de moda nas novelas atualmente, talvez seja um reflexo da nossa sociedade.

O único personagem que teve um final verossímil foi a Bebel (Camila Pitanga). Virou amante de um senador corrupto e assinou contrato para posar nua para uma revista masculina. Essa história não parece familiar?

Me desculpem caros leitores por utilizar, pela milionésima vez, a frase célebre de Neném Prancha. Mas, depois de uma semana como esta, não há definição melhor para a paixão nacional.

Copa Sulamericana

O Goiás havia perdido em casa de 3 x 2 para o Arsenal , e precisava vencer no jogo de volta na Argentina por quatro gols de diferença. Se eles conseguiram? Não. Ok, essa não foi uma surpresa.

O São Paulo tinha perdido para o Boca Juniors de 2 x 1 lá. Precisava vencer de pelo menos um gol de diferença, pois estava jogando em casa. A estabilidade são-paulina compareceu e virou o jogo, na partida que era considerada equivalente a final da copa. Tá bom, não era impossível isso acontecer.

O Vasco da Gama foi para São Januário com a missão de vencer de três gols de diferença, já que havia perdido na terra dos “hermanos” por 2 x 0 para o Lanús. Convenhamos que o time está bem no brasileiro, disputando vaga para a libertadores e tudo, mas estava complicadinho, não é? Pois eles deram conta do recado, e fizeram uma partida emocionante.

Agora era a vez do Bota, como chama intimimamente a imprensa. O Botafogo reestreiou o Engenhão jogando contra o River, em uma partida com inúmeras possiblidades de gols, mas saiu de lá com uma vitória magra de 1 x 0. Ok, lá foram eles para a Argentina com a melhor situação brasileira na rodada. O que aconteceu? Ah, “tem coisas que só acontecem ao Botafogo”, se me permitem novamente o lugar comum. Perderam de 4 x 2, com direito a começar ganhando e perder nos acréscimos. Culpa de quem? Não me arrisco a dizer, mas o técnico Cuca pediu demissão e a torcida divide opiniões. Calcinhas, pipocas, porradaria. É nesse clima que Mario Sérgio, ex-Figueirense, assume a equipe. Para quem queria o estadual, a Copa do Brasil, o Brasileiro e a Sulamericana, o Botafogo termina o ano suando por uma vaga pela Libertadores.

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Marta

Marta, vai pra seleção masculina!

Quem viu viu. Quem não viu, vê no youtube!
http://www.youtube.com/watch?v=hzWsl7sbo7c

A incrível Marta fez um dos melhores gols da história do futebol mundial, e acabou com as americanas em uma goleada de 4 x 0. Alguns afirmam de pés juntos que ela é a encarnação de Garrincha, e dizem que o técnico da seleção masculina, Dunga, deveria considerar uma troca de Wagner Love pela moça. Outros torcedores desejavam ela em seus times. O mais incrível é que tanto show tem muito menos patrocínio do que o futebol-de-resultado da seleção do “anão da Branca de Neve”.

Realmente, se futebol não fosse uma caixinha de surpresas não seria apaixonante.

Alunos da Escola Parque, do Colégio Santo Inácio e da PUC-Rio fizeram nova manifestação contra a absolvição do Presidente do Senado Renan Calheiros. O assunto, que foi tema do post http://desce1lead.wordpress.com/2007/09/20/indignacao-leva-estudantes-da-puc-rio-para-as-ruas/ , revoltou os alunos e motivou-os a encontrarem uma forma de se expressarem.

Idealizadora da passeata, a estudante da Escola Parque, Julia Louzarini, contou ao “Desce1lead!” que  o intuito inicial era protestar contra a política brasileira em geral, mas o assunto “Renan” foi mais forte. “No final de uma aula de português nós discutimos sobre a absolvição do Renan Calheiros, e, como todos estavam indignados, nós resolvemos fazer alguma coisa. A gente sempre vê casos de corrupção no senado, na política brasileira, e ninguém faz nada.”, disse a aluna. Novamente faixas, cartazes e muitos gritos de protestos guiaram a multidão pela Marquês de São Vicente.

Parece que o caso do Presidente do Senado mexeu com os estudantes da zona sul, mas…e os da zona oeste? E os da zona norte? Cadê a indignação do subúrbio estampada no jornal?

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Uma das principais manchetes do jornal de ontem noticiava a oficialização da candidatura do Senador Marcelo Crivella à Prefeitura do Rio. Bem, isso todo mundo já imaginava. O fato inusitado foi o anúncio de uma de suas metas de governo: blindar as casas do Complexo do Alemão. Isso é, no mínimo, polêmico.

 

O candidato afirma que assim “dentro das casas ninguém mais morre de bala perdida”. Péraí. Será que Crivella não pensa em políticas mais efetivas? Como melhorar a polícia, dar educação e saneamento para a população do morro? Ele não deve ter pensado que essas casas feitas com cimento à prova de bala podem servir de fortaleza para os bandidos e que esse processo pode desencadear um problema muito pior.

 

 Crivella está querendo criar “condomínios do morro”, com casas-padrão “pra inglês ver”. Talvez os moradores tenham a sensação de estar vivendo em bunkers (perdão pelo exagero). Dentro de casa todo mundo está seguro. Do lado de fora..ah, quem se importa? Eles que são pobres que se entendam.

 

Blindar casas não me pareceu tão absurdo quando lembrei que um dos objetivos de sua campanha para Governo do Estado, em 2006, era o “cimento social”, onde os moradores da Rocinha ganhariam cimento para emboçar suas casas. Vê-se que o candidato é muito mais preocupado com a questão visual das coisas. Será que ele acredita que as coisas se resolvem por si? 

Marcelo Crivella tem o apoio de Lula, votou pela absolvição de Calheiros e acredita que José Dirceu é inocente. Convenhamos, essa idéia não há de ser muito crível. Tá bom, alguns vão afirmar que ele é um bom político pelo programa que ele fez lá na África, ou do milagre que promoveu no sertão. Mas a questão do Rio de Janeiro é outra. Não adianta querer implantar aqui o que deu certo no Japão, por exemplo – a cultura é outra, a educação é outra, a interpretação é outra. Transformar o morro num forte instransponível definitivamente não dá.

 Se eleito, a mão-de-obra utilizada nas obras será de moradores do morro. Além do cimento blindado (que dura mil anos!), as casas ganharão portas e janelas padronizadas e as que só tem laje, ganharão telhado e até jardineira. Os moradores poderão ESCOLHER entre o amarelo, azul ou marrom na fachada. Pelo menos isso.Daqui a mil anos a gente vê se deu certo.

Já faz parte da rotina do brasileiro. Baixar músicas da internet, gravar cds e dvs em casa, comprar mais barato no camelô. Com o sucesso do filme Tropa de Elite, antes mesmo de ser lançado no cinema, o hábito nosso de todo dia voltou a ser assunto da mídia. Os números da pirataria no Brasil surpreendem. Segundo o Conselho Nacional de combate à pirataria, a cada dez cds legítmos vendidos, outros cinco são piratas e 42% da população consome produtos falsificados.

Esses números de fato parecem alarmantes. Mas como tudo na vida tem seu porém, a pirataria não parece ser assim tão vilã. O próprio filme, Tropa de Elite do diretor José Padilha, é um grande sucesso. Óbvio que muito pela sua qualidade, mas toda essa divulgação “fora de qualquer padrão” contribui muito para isso. Os ingressos para as duas sessões especiais no Festival do Rio esgotaram em apenas 1 hora. Tem tudo para ser o número 1 de bilheteria entre os filmes nacionais. E o que os pobres camelôs levam nessa história? No máximo fama de bandidos.

De fato os impostos que deixam de ser arrecadados fazem falta. Escolas, creches, hospitais, tudo isso poderia ser beneficiado com esse dinheiro. Mas em relação a isso caímos em outro mérito. Desde quando o dinheiro público vai para a população? E a corrupção?  Pirataria é crime sim, com certeza não está sendo defendida aqui, mas são questões a serem pensadas.

Cds, dvds, brinquedos, roupas, todos esses produtos fazem parte desse mercado paralelo que custa cerca de R$ 30 milhões  ao ano para o governo, ainda segundo o Conselho. No entanto, sabemos  que sem essa “economia” informal muitos estariam sem fonte de renda, o que seria prejudicial à economia dita formal. Então o que fazer? Qualquer pessoa é capaz de indicar as soluções. Dar emprego a esses camelôs, reduzir o valor dos impostos e baratear o custo dos produtos, afinal quem não tem dinheiro para comprar 1kg de arroz, não tem R$ 40 para comprar um cd.

A gente sempre espera que algo seja feito, mas enquanto isso vamos levar minha gente, é um por cinco e três por dez.

*Pauta: Paloma Verçosa

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Era uma vez a plantação de tomates do Seu Suzuki. Com esta plantação ele conseguia sustentar sua família. Para isso, Seu Suzuki vendia a maior parte de sua produção para o supermercado.

Dona Anete, vendia perfumes e era desta forma que contribuía no orçamento familiar. Com o dinheiro que lhe pagaram, ela foi ao supermercado e comprou 1kg de tomates – produzidos na plantação do seu Suzuki – e carne de porco para o almoço. Porém, Dona Anete julgou que um tomate estava podre e inadequado para a comida de sua família, então jogou-o no lixo.

Lixo é tudo aquilo que desperdiçamos ou achamos impróprio para o consumo. Por causa do seu cheiro desagradável, ele é recolhido e levado para um lugar onde ele “pode sujar e cheirar mal livremente”. O lugar escolhido para isso chama-se Ilha das Flores.

Neste lugar, o dono de uma criação de porcos comprou um terreno onde parte desse lixo é depositado. Seus empregados analisam o lixo e separam aquilo que acham adequado para os porcos comerem. Lá está o tomate que dona Anete jogou fora.

Os alimentos que foram desprezados para alimentação dos porcos, vão servir para alimentar mulheres e crianças que não tem dinheiro. Os empregados do dono da criação de porcos abrem os portões e deixam grupos de 10 pessoas por vez entrarem e permanecerem por cinco minutos, até recolherem tudo que podem carregar.

Então, o tomate que não serviu para a família da dona Anete, não serviu para os porcos, agora vai servir para a alimentação de seres humanos.

The End

Obs: Baseado em fatos reais

“O ser humano se diferencia dos outros animais pelo telencéfalo altamente desenvolvido, pelo polegar opositor e por ser livre. Livre é o estado daquele que tem liberdade”.
Ilha da Flores

“Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”.

Romanceiro da Inconfidência – Cecilia Meireles

Seres humanos tratados como animais, ou melhor, abaixo deles. Será que aquelas pessoas realmente têm liberdade? Essa é a narrativa de Ilha das Flores (1989), dirigido por Jorge Furtado. O filme conta todo o caminho percorrido por um simples tomate, apontando, de forma irônica, as desigualdades existentes na nossa sociedade.

Premiado com o Urso de Prata no Festival de Berlim (1990), Ilha das Flores continua atual, mesmo 18 anos depois de ser produzido. Há pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza em todas as partes do mundo, comendo lixo que acham nas ruas. E o que nós fazemos: fechamos os olhos. Onde foram parar os mendigos durante o Pan-americano? Esconder a sujeira embaixo do tapete é a melhor solução? Esse é um assunto para se pensar. Será que realmente somos seres evoluídos? Será que realmente temos um “telencéfalo altamente desenvolvido”????

Essa é minha dica de hoje. Onde encontrar? http://www.portacurtas.com.br/filme.asp?Cod=647#

O feminismo não é uma ideologia, é uma necessidade.

Não pretendo fazer desta fonte de informação uma bandeira feminista, mas acredito que é necessário mudanças quanto a relação de respeito entre homens e mulheres.

Todos os dias, milhares de mulheres brasileiras acordam às 4 horas da manhã, deixam seus afazeres previamente esquematizados e vão à luta. Essa imagem só é vista hoje porque, na década de 70, feministas se rebelaram contra o machismo imperante e queimaram seus sutiãs em praça pública. Será que é isso mesmo? A atual situação pode ser apenas uma evolução da sociedade, esta que mais cedo ou mais tarde precisaria da força de trabalho expressiva e contundente das mulheres.

Porém, é evidente que eventos como este marcam um tempo e mudam a trajetória do mundo. Na última sexta-feira, dia 14 de setembro, o IBGE divulgou os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Segundo os dados divulgados, 18,552 milhões de famílias chegaram a ser chefiadas por mulheres, em 2006; um aumento de 5,54% em relação ao ano anterior. Além desse resultado, a PNAD revelou que as mulheres representam, hoje, mais da metade da população economicamente ativa do país, enquanto, em 1980, esse percentual não passava de 30%. Segundo o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Márcio Pochmannem, em entrevista para a publicação on-line do Diário do Grande ABC, “isso é conseqüência da maior escolaridade entre as mulheres”. Enquanto os homens estudam em média 6,6 anos, as mulheres estudam 7.

Mas onde se encontra a minha Maria, que cuida de seus Benés? A essa hora, ela deve estar em um ônibus lotado, com outras tantas Marias. E, quando chegar em casa, ela a encontrará numa desordem tamanha, num caos total. Essa minha Maria ainda faz falta nos lares porque os Josés ainda não se acostumaram com a idéia de que agora o trabalho é muito, muito para uma mulher só. José: Zé Mané é esse homem que não percebe em sua esposa a potencialidade como um todo. Essas mulheres começaram por sutiãs e podem dominar o mundo.

As mulheres são objetos de desejo intelectual. A cada dia, elas ocupam esferas historicamente masculinas: são motoristas, mecânicas, engenheiras, empresárias, etc. É preciso que se conscientize as pessoas, principalmente os homens, a respeito do papel da mulher na sociedade, buscando uma maior igualdade de direitos.

Passeata - Foto: Paloma Verçosa

Fotos: Paloma Verçosa 

Alunos da PUC-Rio se organizaram hoje em uma passeata contra a absolvição do Presidente do Senado, Renan Calheiros. A concentração aconteceu 13h nos pilotis do campus da universidade na Gávea, com direito a Hino Nacional antes dos manifestantes ultrapassarem os portões e fecharem a Avenida Marquês de São Vicente. Inúmeras faixas foram exibidas com dizeres indignados, como “Senado Covarde”. E as palavras de ordem não tiveram tom mais brando, “Brasil atrasado, Renan no senado”, “Boi da cara preta, pega o senado porque só tem picareta”, são alguns exemplos, para não citar os palavrões. 

Agregaram estudantes, idosos, e indignados em geral, como o vocalista da banda Detonautas, Tico Santa Cruz, que, em declaração ao “Desce 1 Lead”, defendeu a união nas reivindicações. “Se a gente não unir todo mundo, vai ficar cada um no seu lugar fazendo barulho e, na verdade, sem fazer barulho nenhum. A gente tem que juntar os movimentos. Aqui tem a sociedade representada, tem o povo, tem as pessoas que estão lutando há algum tempo, pessoas que são vítimas de violência, que estão cheias dessa baderna toda que virou o congresso nacional”, declarou o cantor. 

No último dia 12 de Setembro o senador Renan Calheiros foi absolvido no Conselho de Ética  do relatório de cassação de seu mandato. Ele era acusado de pagar uma pensão à jornalista Mônica Veloso com dinheiro fornecido pelo lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior. Foram 40 votos a favor da absolvição, 35 pela cassação e 6 abstenções, desses, os senadores do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, Francisco Dornelles e Paulo Duque, absolveram Calheiros.

Depois de tais acontecimentos, estudantes do Curso de Ciências Sociais da PUC-Rio, entre eles Talita São Thiago, resolveram se manifestar contra a decisão do senado. “Nós estávamos indignados e resolvemos fazer alguma coisa, e então a idéia foi se disseminando para o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e os Centros Acadêmicos (CAs). O Brasil sofre muito de impunidade. Desde o “Fora Collor” tivemos muitos problemas e poucas iniciativas, a gente acredita que isso é uma forma de mostrar que o povo  brasileiro sabe das coisas e não fica a parte”, disse a aluna. 

Neste clima de indignação muitos jovens responderam ao chamado. Organizadores disseram que no início eram 50, mas nas ruas se tornaram 1000 manifestantes. “O movimento é contra a corrupção. Políticos como o Renan irritam o povo. Como um político corrupto é absolvido e ainda sai rindo? Ele tinha que ser um exemplo sendo preso”, falou Vinicius Costa, Diretor de Meio Ambiente do DCE da PUC-Rio. Mas alunos de outras universidades também estiveram presentes. Fernanda Romero, aluna da FACHA, acreditou na manifestação e se juntou ao movimento. “Manifestar fez a diferença na história. Isso pelo menos mostra que a gente está vendo. E o objetivo é esse, é mostrar que o povo está revoltado”. 

Para chamar a atenção de todos que passavam na rua, além das faixas e dos gritos uníssonos, foi utilizado um carro de som que acabou servindo de palanque para que representantes do movimento estudantil estimulassem protestos que, de acordo com idealizadores, não foram debatidos. Reforma política, união do movimento estudantil e críticas à PUC-Rio e ao PT. Em parte da passeata inúmeros assuntos, que não se relacionavam diretamente com o caso de Renan Calheiros, foram ditos no microfone. “Tem gente se aproveitando da passeata pra se promover. Estão falando temas não debatidos que muita gente aqui nem conhece direito. É uma manipulação. Precisava ser feito um debate aprofundado sobre estas questões”, questionou Talita São Thiago. Tal mistura causou um tumulto no carro de som e vaias dos manifestantes. 

De volta ao caso “Renan”, o movimento causou transtorno para quem estava nas proximidades. Engarrafamentos foram formados, causando a irritação de quem não estava propenso a reivindicações de mudança no congresso. Isto dividiu o público que, em parte, apoiava a boa causa, mas também reclamou da “baderna”.  Uma senhora se irritou por estar com seu carro parado sem possibilidades de fugir do transtorno e foi chamada de “mulher de Renan”. Os que simpatizaram com a iniciativa acenaram dos prédios, bateram palmas e até deixaram seus trabalhos para se juntar à caminhada a pedido dos estudantes. “Eu fiquei maravilhada com a beleza dessa turma jovem. Essa garotada não participava há muito tempo. Todo mundo tem que se juntar pra que haja uma mobilização e que todos possam protestar. Nós temos que valorizar o Brasil”, declarou Denise do Rego Macedo após ter sido acolhida na passeata. 

Houve quem acreditasse que o ato foi um grito em favor da ética e da justiça nas instituições públicas. “Essa passeata é uma aula viva de ética. Tudo o que nós estamos ensinando dentro de sala estamos vivendo aqui agora. Não adianta só o discurso, a aula da cidadania se faz na rua, chamando a população para o compromisso e a responsabilidade como eleitor”, disse a professora de Ética Cristã, Eva Aparecida Rezende de Moraes, enquanto usava um nariz de palhaço.  

Apesar de tanta animação também teve quem não esperasse mudanças após todos irem para as suas casas. “Eu acho que alguma coisa tem que ser feita. Eu acho um absurdo o homem roubar e continuar representando o povo no senado. Infelizmente isso não adianta muito, mas mesmo assim eu acho que tem que ser feita alguma coisa. Tudo é válido”, declarou Márcia Mathias, mãe de um aluno da PUC-Rio. 

Carregando um caixão com a foto de Renan Calheiros, os manifestantes seguiram até a praça Antero de Quental no Leblon, onde fizeram um círculo, cantaram o Hino Nacional antes de se despedirem. Tico Santa Cruz terminou o ato defendendo que o movimento estudantil não é cúmplice da “pouca vergonha” que ocorre na política. “Existe a necessidade de mais manifestações. Nós temos que lutar para os políticos usarem os serviços públicos brasileiros. Isto aqui é um cortejo fúnebre, eles assassinaram a ética no Brasil”, finalizou o cantor erguendo o caixão preto com a foto do Presidente do Senado.

 

 

OBS: O dia de Bibiana Maia é sábado, isto foi um caso especial. 

 

 

 

 

GALERIA DE FOTOS

 

Passeata - Foto: Paloma Verçosa   Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa   Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Talita São Thiago - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma Verçosa  Passeata - Foto: Paloma VerçosaPasseata - Foto: Paloma Verçosa  Tico Santa Cruz - Foto: Paloma Verçosa

Falar do “mundo” sem se prender aos assuntos corriqueiros fica meio difícil. Mas a interminável intervenção americana do Iraque, o autoritarismo de Hugo Chávez na Venezuela, o aquecimento global já se tornaram óbvios, e todo mundo já está um pouco enjoado…

 

A globalização também é óbvia, mas tentemos fazer uma análise um pouco diferenciada dessa questão.

É verdade que a globalização trouxe uma noção de proximidade, rapidez e fluidez das coisas. Mas será que isso é totalmente positivo? Os avanços tecnológicos criaram aparelhos capazes de conectar pessoas em diferentes pólos e é possível se comunicar com alguém no Alaska sem maiores complicações.

Mas sobra uma contradição. Essa tecnologia deveria servir para conectar as pessoas que estão a uma certa distância. Mas até a noção de distância mudou. Ok, o mundo mudou.  

As aventuras se limitam ao mundo virtual. Pra que se surpreender com uma nova rota se eu tenho o Google Earth? Pra que ir até o Louvre se eu já vi a Monalisa naquele site que mostra de pertinho? Pra quê ligar pro meu amigo? Ah, ele deve estar online no MSN. Não desejo mais parabéns, agora só “scrapo”. Jornal? Só se for online. Paisagens? Só as da proteção de tela. Tá todo mundo esquecendo de ir dar um passeio lá fora…

Fato que essas tecnologias globalizadas também trouxeram benefícios para as áreas da saúde, economia, arquitetura, enfim.

A globalização não é a grande vilã da contemporaneidade. Acho que a intenção era boa…mas elas sempre são, né?!

Pode ser que esse processo tenha sofrido um erro de assimilação, infelizmente irreversível. Mas existirá sempre alguém que aprecie o contato com as coisas “reais” – e que o faça.

Tenho que ir agora, marquei um encontro na Internet.

Dividir um blog jornalístico em categorias. Normal vai?!

Nem tanto. Quanta discussão. Afinal o que é de fato cultura e o que é de fato

pop? E a cultura popular? Não é tudo a mesma coisa?                                                    

De fato a linha é tênue. Se a cultura pertence a um povo e popular refere-se a um povo por que não mesclar tudo e fazer uma coisa só?!

Caras amigas de blog e caros pucos (¬¬) leitores de agora em diante pop e cult seremos um só…. Que lindo não?!

E para começar gostaria de sugerir uma atividade ao mesmo tempo “cult” e pop.          Aqui no Rio, está acontecendo uma exposição bastante interessante no MAM, Museu de Arte Moderna, sobre a tropicalia. Movimento que englobou música, arte, literatura, teatro, arquitetura…. Enfim, bastante rico em termos de cultura.

Lá será possível assistir trechos de shows de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé, e muitos outros participantes do movimento. Tudo documentado da época. Vão estar expostas também obras de 1967 dos artistas Lygia Clak, Antonio Dias, Hélio Oiticica e Lygia Pape que fizeram parte da Tropicália e de sua busca pela real identidade cultural brasileira ( coisa difícil essa tal de cultura).

Tudo isso é de fato bastante enriquecedor, mas o bom mesmo deve ser a piscina de bolinhas que faz parte da exposição, você pode mergulhar (garantem…). Quem estiver interessado em confirir o MAM fica na Avenida Infante Dom Henrique, número 85 no Parque do Flamengo. A exposição fica no segundo andar do MAM e vai até o dia 30 de setembro.

Beijo minha gente, prometo maior teor jornalístico em um futuro próximo

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