Estreou na última sexta-feira o filme “O Passado”, de Hector Babenco. O longa-metragem, baseado na obra homônima de Alan Pauls, conta a história de Rímini (Gael Garcia Bernal) e Sofia (Analía Couceyro). Ele é um charmoso tradutor e ela uma mulher obcecada. Depois de um casamento de 12 anos eles resolvem se separar, mas Sofia não aceita a idéia e faz loucuras para tê-lo por perto. É visível o distúrbio psicológico sofrido por Sofia. Ela é uma mulher que ama demais.
Para as mulheres que amam demais amar é sinônimo de sofrer. Esse amor não necessariamente é pela outra pessoa, mas sim uma espécie de obsessão. A mulher perde o amor próprio e passa a viver sua vida em função do outro. Normalmente elas não percebem que estão doentes.
Aqui no Brasil, esse assunto veio à tona durante a novela “Mulheres Apaixonadas” (Manoel Carlos, 2003) que mostrava Heloísa (Giulia Gam) sempre em conflito com seu marido Sérgio (Marcelo Antony). Ela sofria de ciúmes doentios e cometeu insanidades para chamar a atenção para si. Na mesma novela, o país tomou conhecimento do grupo de apoio a essas mulheres, o MADA (Mulheres que Amam Demais Anônimas).
O MADA é um grupo sem fins lucrativos que existe em diversas cidades do Brasil e do mundo. Lá as mulheres recebem apoio psicológico e podem compartilhar suas experiências. O grupo se baseia nos 12 princípios adotados pelos Alcoólicos Anônimos, que foi o primeiro grupo anônimo a ser fundado. O mais difícil disso tudo é assumir sofrer dessa “doença”, que ainda não tem um estudo que define o perfil especifico de quem sofre dela.
Procurei entrevistar pessoas que pudessem me explicar melhor sobre o assunto, mas não tive sucesso. Parece que elas realmente querem se manter anônimas. Só encontrei o livro “Mulheres que amam demais” Robin Nordwood (Editora Arx, 1985) , onde há relatos de mulheres que sofreram/sofrem com esse transtorno.
Babenco disse que resolveu rodar o filme na Argentina porque a auto-estima das brasileiras é mais elevada. Pois é, aqui uma noite no pagode resolve qualquer dor de cotovelo. Ok, não exageremos, o importante é saber que isso tem cura. Se você se sente completamente dependente de seu parceiro, faz qualquer coisa para agradá-lo, abdicou de seus amigos e de suas preferências para vê-lo feliz, é hora de procurar ajuda.
Queria evitar, mas não posso escapar do clichê “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima…”. Pois é, isso é absolutamente possível.
Para saber mais:
Comunidades “mulheres que amam demais” no Orkut.
“Mulheres que amam demais”, Robin Nordwood


