Outubro 2007


Estreou na última sexta-feira o filme “O Passado”, de Hector Babenco. O longa-metragem, baseado na obra homônima de Alan Pauls, conta a história de Rímini (Gael Garcia Bernal) e Sofia (Analía Couceyro). Ele é um charmoso tradutor e ela uma mulher obcecada. Depois de um casamento de 12 anos eles resolvem se separar, mas Sofia não aceita a idéia e faz loucuras para tê-lo por perto. É visível o distúrbio psicológico sofrido por Sofia. Ela é uma mulher que ama demais.

Para as mulheres que amam demais amar é sinônimo de sofrer. Esse amor não necessariamente é pela outra pessoa, mas sim uma espécie de obsessão. A mulher perde o amor próprio e passa a viver sua vida em função do outro. Normalmente elas não percebem que estão doentes.

Aqui no Brasil, esse assunto veio à tona durante a novela “Mulheres Apaixonadas” (Manoel Carlos, 2003) que mostrava Heloísa (Giulia Gam) sempre em conflito com seu marido Sérgio (Marcelo Antony). Ela sofria de ciúmes doentios e cometeu insanidades para chamar a atenção para si. Na mesma novela, o país tomou conhecimento do grupo de apoio a essas mulheres, o MADA (Mulheres que Amam Demais Anônimas).

O MADA é um grupo sem fins lucrativos que existe em diversas cidades do Brasil e do mundo. Lá as mulheres recebem apoio psicológico e podem compartilhar suas experiências. O grupo se baseia nos 12 princípios adotados pelos Alcoólicos Anônimos, que foi o primeiro grupo anônimo a ser fundado. O mais difícil disso tudo é assumir sofrer dessa “doença”, que ainda não tem um estudo que define o perfil especifico de quem sofre dela.

Procurei entrevistar pessoas que pudessem me explicar melhor sobre o assunto, mas não tive sucesso. Parece que elas realmente querem se manter anônimas. Só encontrei o livro “Mulheres que amam demais” Robin Nordwood (Editora Arx, 1985)  , onde há relatos de mulheres que sofreram/sofrem com esse transtorno.

Babenco disse que resolveu rodar o filme na Argentina porque a auto-estima das brasileiras é mais elevada. Pois é, aqui uma noite no pagode resolve qualquer dor de cotovelo. Ok, não exageremos, o importante é saber que isso tem cura. Se você se sente completamente dependente de seu parceiro, faz qualquer coisa para agradá-lo, abdicou de seus amigos e de suas preferências para vê-lo feliz, é hora de procurar ajuda.

Queria evitar, mas não posso escapar do clichê “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima…”. Pois é, isso é absolutamente possível.

Para saber mais:

www.grupomada.com.br.

Comunidades “mulheres que amam demais” no Orkut.

“Mulheres que amam demais”, Robin Nordwood

favela da coréia

 

A violência tem sido freqüentemente tema de debates. As cenas de barbárie vêm se tornando corriqueiras para a população do Rio.Na última semana, vimos as imagens de dois supostos traficantes sendo mortos na favela da Coréia, em Senador Camará. E o mais incrível: as pessoas não se chocaram com isso.

Mas calma aí.

Voltamos à Idade Média, onde é natural que as pessoas sejam executadas em praça pública? Será que esses caras realmente ofereciam tanto perigo assim? Não vamos cair nesse mérito, mas sabemos que isso já não é novidade. Durante a invasão no Complexo do Alemão, os policiais não prenderam ninguém, só mataram – alguns com tiro na nuca. Capitão Nascimento disse “nossa missão é entrar na favela e deixar corpo no chão”. Parece que é verdade.

Sérgio Cabral afirmou, em entrevista ao Globo, que as pessoas confundem Segurança Pública com Direitos Humanos. As duas coisas não deveriam caminhar juntas? Matar inocentes não é uma questão de segurança pública. Quantos Kauãs (menino atingido por uma bala perdida durante a invasão da Coréia) terão que morrer em nome da “segurança”?

Essa semana também fui vítima da violência.  Fotografando com uma amiga uma feira em uma comunidade de baixa renda, fomos cercadas por dois caras do tráfico. Naturalmente, eles temiam que fôssemos “X9”. Fomos abordadas assim: “Qual foi, tu tá tirando foto do zôto aí por causa de quê? Vocês tão maluca?”[sic]. E a gente tentando se explicar “não, que isso colega, a gente tá fazendo um trabalho de faculdade, é pra ajudar a comunidade, não tem fotos de vocês aqui não”. Eles, muito nervosos, concluíram “se adianta, então!”.  Ainda que eles sejam bandidos e estivessem armados, tive um pouco de pena deles. São “vítimas” de uma bola de neve que começou há muito tempo atrás.

Fiquei pensando. Qual será a solução para esse caos? Investimento em educação, saúde, saneamento melhorariam uma sociedade já tão corrompida e desesperançosa? Existirá alguém capaz de acabar com as guerras? Sei não. Os mais apocalípticos diriam que são indícios do fim dos tempos, e a cada dia eu acredito mais neles…

 RELACIONADO AO POST ANTERIOR

As equipes BMW Sauber e Williams estão sendo insvestigadas por usarem gasolina com temperatura abaixo do permitido no Grande Prêmio do Brasil. Se houver a condenação os pilotos Nico Rosberg, da Williams, Robert Kubica, da BMW Sauber, e Nick Heidfeld, também da BMW Sauber, serão desclassificados e perderão a 4º, a 5º e a 6º posição, respectivamente. Com isso Lewis Hamilton, que terminou a corrida em 7º, passaria para o 4º lugar e seria campeão, tirando o título das mãos do finlandês Kimi Raikkonen.

Nosso ganhador do troféu Pegadinha do Faustão também seria desclassificado. Vai com calma, Kazuki Nakajima.

Montagem de Camila Valiati


Parece bincadeira, mas Lewis Hamilton entregou de bandeja o título Mundial de Pilotos da F1 para Kimi Raikkonen, neste domingo, em Interlagos. Considerado a grande revelação do ano, Hamilton foi o primeiro piloto negro a liderar um campeonato, e tinha a possibilidade de ser o mais jovem campeão mundial. Mas cometeu um erro logo na primeira volta: Hamilton tentou disputar a terceira posição com seu próprio companheiro de equipe, Fernando Alonso, e acabou perdendo várias posições.

Lewis Hamilton ainda teve problemas no câmbio e precisou fazer uma corrida de recuperação. Mas com a estratégia errada escolhida pela McLaren, ele acabou necessitando de três pit stops. O que tornou impossível chegar ao quinto lugar, posição que lhe daria o título.

 

Com 109 pontos, o bicampeão Fernando Alonso passou grande parte da corrida com a mão na taça. Mas com o jogo de equipe da Ferrari, Raikkonen ultrapassou Felipe Massa nos boxes e se consagrou campeão, com 110 pontos. O “Homem de Gelo”, como é conhecido, conseguiu superar sua fase de má sorte e finalmente conquistou o título que ansiava há três anos.

 

Felipe Massa acabou em segundo na corrida e em quarto no campeonato. Já a temporada de Rubens Barrichello é para ser esquecida. Este foi o primeiro ano em que ele não marcou pontos. Com um carro ecologicamente correto, mas que não funciona, ele e seu parceiro, Jason Button, abandonaram a corrida com problemas no motor. A Honda já renovou o contrato dos dois e prometeu construir um carro competitivo para o próximo ano.

 

Mas com certeza o prêmio de Pegadinha do Faustão vai para Kazuki Nakajima, que atropelou dois mecânicos durante o pit stop. Eles foram atendidos pelo centro médico do autódromo e passam bem. Vai com calma, Nakajima!

O Rio foi na onda de São Paulo e aprovou, nesta terça-feira (16), o projeto de lei que proíbe o uso de aparelhos celulares em horário de aula. Em entrevista para o portal de notícias G1, o deputado estadual Orlando Morando (PSDB), autor da lei paulista, disse que a medida visa manter a ordem em sala de aula porque “o envio de torpedos e conversas pelo celular desviam a atenção dos alunos”.

A proposta foi aprovada pela Assembléia Legislativa de São Paulo, no dia 28 de agosto, e sancionada pelo governador José Serra há 8 dias. No Rio, o projeto de autoria da vereadora Márcia Texeira (PR) foi aprovado pela Câmara Municipal, mas aguarda a sanção do prefeito César Maia.

A questão é a seguinte: de um lado, os professores apoiam a lei; do outro, os alunos reprovam. A professora Célia Gomes, 47 anos, disse que os aparelhos eletrônicos, em especial o celular, fazem as aulas se tornarem chats. “Eu não consigo dar aula. Antigamente, os alunos passavam bilhetinhos para conversar em sala de aula. Agora eles passam mensagem pelo celular. Fora isso, os toques que eles colocam paracem que são para provocar os professores porque nós não conseguimos raciocinar direito”.

Já a aluna Ingrid Oliveira, 17 anos, do Colégio Pedro II, diz que essa lei pode até ser aceita, mas que, assim como os alunos, os professores devem atender o celular quando não estiverem em horário de aula. “Eu sei que alguns alunos abusam, mas outros, não. A ligação que o professor atende não é menos importante que a minha. Eu também tenho problemas e, às vezes, preciso atender o telefone”, disse.

A lei, se aprovada pelo prefeito, atingirá o ensino fundamental, médio e superior de instituições públicas e particulares. Outro aspecto importante é o fato de no Rio outros aparelhos eletrônicos também serem proibidos, enquanto em São paulo, é só o celular. Enquanto se tem tempo para a discussão, é preciso saber como será realizada a fiscalização porque a lei não esclarece esse tipo de informação.

Agora, “colocando o meu nariz onde não fui chamada”, eu acho que esse tipo de normatização deveria ser responsabilidade de cada instituição. Não era necessário uma lei. Existem coisas mais importantes para serem pensadas.

http://portalartefacto.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=901&Itemid=111

Não, não…

Não estamos falando de álcool ou drogas, o assunto é miscigenação. Todos sabem que o Brasil é um país que reúne características européias, indígenas e africanas. Mas o que poucos sabem é que Portugal já tinha um caráter miscigenado, visto suas influências oriental, romana e judaica. Daí a atitude mais “flexível” deles que influenciou diretamente na formação da nossa sociedade.

Os portugueses chegaram aqui e se misturaram (literalmente) com as índias, depois com as negras, gerando uma sociedade de mulatos, mamelucos e cafuzos. Essa convivência nem sempre foi pacífica, mas deu no que deu. Somos um país que reúne, em termos gerais, as mais distintas ascendências num mesmo espaço. Nem precisa sair de casa pra observar esse fato. 

Para explicar isso melhor, o Centro Cultural Banco do Brasil inaugurou essa semana a exposição Lusa – A Matriz Portuguesa, que conta a história das origens de Portugal, o que faz a gente entender um pouco melhor o que é o Brasil. “É muito importante a gente saber o que aconteceu antes, porque depois de 1500 os livros já contam”, afirmou um homem que pediu para não ser identificado.  

Essa exposição é como o fechamento de outras duas: Arte da África e Antes-História da Pré-História do Brasil, que também se propunham a mostrar como foi que se constituiu o que hoje se chama Brasil. Só faltava mesmo o elemento português para reunir todas as nossas mais destacadas origens. A mostra é, além de tudo, a abertura das comemorações aos 200 anos da chegada da Família Real no Rio de Janeiro. 

Vale a pena dar uma olhada. São mais de 147 peças que vieram de museus lusitanos para nos contar essa história. Não custa nada saber um pouco mais sobre nós mesmos.  

A exposição fica até o dia 10 de fevereiro de 2008.

O CCBB fica na Rua Primeiro de Março, 66

Centro – Rio de Janeiro

 

http://bravonline.abril.com.br/indices/programese/programesemateria_253589.shtml?printpage

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Menina diante do espelho, Pablo Picasso.

Uma simples conversa de bar pode render muito assunto. Depois de uma agradável tarde no buteco, constatei que ninguém é totalmente satisfeito com sua aparência. Mas, e o que isso tem de novo? É difícil encontrar alguém que se considere belo, de fato. No entanto, o que ninguém entende é como isso ocorre.

Olhar-se no espelho é uma escolha. Adiar isso pode tornar o encontro com o espelho um momento doloroso. Nos deparamos diariamente com faces e corpos diferentes. É fácil encarar com naturalidade o que está no outro. A partir do momento em que não nos reconhecemos nesses referências, não só de beleza, mas de “normalidade”, a angústia é inevitável.

O que de fato quero dizer, é que só nos sentimos feios pois não parecemos em nada, ou em quase nada, com o outro. Você não tem o corpo da sua amiga ou o rosto da vizinha. Somos todos diferentes, e reconhecer-se diferente dói. Não que um seja mais ou melhor que outro, mas é aquela velha história: a grama do vizinho é sempre mais verde. Nunca seremos felizes se continuarmos a nos comparar com outras faces. É preciso compreender que os outros também nos enxergam dessa maneira, somos normais quando vistos de fora. O estranho está no espelho…

Vaca Paraóo Tropical

Uma invasão de vacas na cidade vem chamando a atenção dos cariocas, é a Cow Parade. A maior exposição de rua do mundo traz esculturas de vacas feitas de fibra de vidro e decoradas por artistas plásticos. Ao todo são 100 vacas que ficarão expostas até novembro e depois serão leiloadas e a renda revertida para obras sociais da Prefeitura.

Com nove anos de existência, a Cow Parade já esteve em outras 37 cidades do mundo. Nova York, Londres, Tóquio, Paris e São Paulo são alguns exemplos. Dentre as “cowriocas”, uma das que mais chamam a atenção é a Vaca do Drummond, de Celso da Silva e Alexandre Cardoso. Ela está sentada lendo um livro ao lado da estátua de Carlos Drummond de Andrade, no posto 6, em Copacabana.

Outra sensação é a Vaca Paraíso Tropical, de Edgar Moura Brasil, inspirada na prostituta Bebel, vivida por Camila Pitanga na novela de Gilberto Braga. Ela tem no corpo as ondas do calçadão de Copacabana e usa sapatos vermelhos.

A estudante de comunicação Thaís Cabral, 19 anos, aprovou a idéia da exposição. “Eu gostei muito da idéia de utilizar as esculturas pra arrecadar fundos. Só acho que deveriam vendê-las em miniaturas também, assim como na Europa, onde é uma febre”. Para a estudante as vacas O Boi Lambeu (Sabrina Villar), Top múúúode (Luís Adensohn) e Pilão com Café (Oscar Sommer) são as mais engraçadas.

É minha gente, as vacas agora são POPs. Então para aproveitar o finalzinho do feriado que tal um tour pela cidade para visitar nossas novas vizinhas.

Vaca do Drummond    Top múúúodel   Pilão com caféO boi lambeu

            

O jornal britânico “The Daily Telegraph” publicou hoje que a Scotland Yard sabia que o brasileiro Jean Charles não era um terrorista. A revelação ocorreu durante o julgamento. De acordo com uma testemunha, a comandante Cressida Dick, supervisora da brigada antiterrorista, recebeu uma informação via rádio de que Jean Charles não era o suspeito que eles procuravam. A busca era direcionada a Hussain Osman, que teria realizado a tentativa de atentado ao metrô de Londres em 21 de Julho de 2005. Apesar de saber disso, Cressida insistiu na perseguição que terminou no assassinato do brasileiro em 22 de Julho de 2005.

 No último dia 5 foi “celebrada” a morte de Ernesto Che Guevara, famoso revolucionário cubano, e a estampa de camiseta mais popular do planeta. Por isso, Che virou capa da revista “Veja” e trouxe mais uma vez à tona o que há de verdadeiro e de mito em sua história. O problema é que parece que o veículo estava mais preocupado em denegrir a imagem do cubano do que realmente ir a fundo na história.

Neste sábado foi morto mais um soldado da Polícia Militar. Sebastião Tadeu Teixeira Mendes, 28 anos, foi assassinado durante um assalto a um lava-jato em Bangu. Os assaltantes teriam reconhecido o policial, acarretando uma troca de tiros. O caso será investigado pelo 27°BPM (Santa Cruz).

 

 Porque será que nada disso nos parece novo?

Queremos agradecer ao Inagaki por nos linkar como um dos “Blogs da semana” no Pensar Enlouquece (http://www.interney.net/blogs/inagaki/). É muito legal ver um blog lido por nós nos dando essa ajuda. Valeu mesmo!

E agradecemos também aos 1600 loucos que já nos leram.

Rumo ao JÔ!

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