O samba é tão oficial no Brasil que tem até Dia Nacional. Dois de dezembro é a data escolhida para comemorar. O motivo é contraditório, mas o que vale é a intenção. O ritmo tem suas origens na África, derivado do lundu e do batuque. Os escravos que vieram para cá o trouxeram e o ritmo se popularizou.
Tia Ciata, uma baiana que viveu no Rio de Janeiro no século 19, promovia saraus musicais regados a muita bebida e tira-gostos. E lá havia espaço para compositores discutirem idéias e novas canções. Sua casa era ponto de encontro para os sambistas da época. Naturalmente ela foi perseguida pelo Estado que achava que as reuniões “contrariavam a ordem”.
Depois surgiram compositores como Donga, Cartola e Noel Rosa, este último tido como responsável em unir o samba do asfalto com o do morro. Nesta época, mais ou menos nos anos 30, o samba ganhou status de música oficial, com a ajuda do Presidente Getúlio Vargas.
Como o povo brasileiro gosta de inventar moda, o samba sofreu diversas influências e criou novas formas. Dentre elas estão o samba-enredo, partido alto, pagode e sambalanço. Com isso, novos artistas foram surgindo. Nomes como Dona Ivone Lara, Jorge Aragão, Beth Carvalho e Paulinho da Viola são referências para o samba contemporâneo. Até mesmo Vinícius de Morais e João Gilberto beberam nessa fonte para criarem a Bossa Nova. Simon Gautschi, suíço, acha legal essas derivações do samba “na Europa a gente acha que samba é só Carnaval, mas quando chega aqui tem outras coisas, tipo Theresa Cristina ou Monobloco, que são muito diferentes, mas é tudo samba”, afirma.
Durante os anos 90, o samba voltou a ficar marginalizado, porque a indústria do pagode produziu grupos tão comerciais que estavam todos os domingos no Faustão ou no Gugu, cantando suas letras descartáveis. Dentre os exemplos figuram Karametade, Katinguelê, Ronaldo e Os Barcelos “Feliz Aniversário, meu amor…espero que você esteja muito feliz..”, Soweto “Derê, Derêrerê…”, Os Travessos, entre outras pérolas.
O início do século 21 trouxe um resgate cultural e o samba voltou a ser valorizado. Com a “nova” Lapa, ele voltou mais estilizado. Surgiram nomes como Theresa Cristina e Grupo Semente, Casuarina, Moyses Marques, que buscam no samba tradicional isnpiração para suas composições.
Em comemoração ao Dia Nacional do Samba acontece há vários anos o “Pagode do Trem”, que sai da Central do Brasil com destino a Osvaldo Cruz, considerado o berço do samba carioca. Os sambistas de todas as classes sociais participam do evento, que esse ano acontece na próxima sexta-feira, 30, às 18h.
“Eu sou o samba (…)
Sou natural daqui do Rio de Janeiro
Sou eu quem levo a alegria
Para milhões de corações brasileiros
Salve o samba, queremos samba”
É isso mesmo: sambemos!





