Novembro 2007


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O samba é tão oficial no Brasil que tem até Dia Nacional. Dois de dezembro é a data escolhida para comemorar. O motivo é contraditório, mas o que vale é a intenção. O ritmo tem suas origens na África, derivado do lundu e do batuque. Os escravos que vieram para cá o trouxeram e o ritmo se popularizou.

Tia Ciata, uma baiana que viveu no Rio de Janeiro no século 19, promovia saraus musicais regados a muita bebida e tira-gostos. E lá havia espaço para compositores discutirem idéias e novas canções. Sua casa era ponto de encontro para os sambistas da época. Naturalmente ela foi perseguida pelo Estado que achava que as reuniões “contrariavam a ordem”.

Depois surgiram compositores como Donga, Cartola e Noel Rosa, este último tido como responsável em unir o samba do asfalto com o do morro. Nesta época, mais ou menos nos anos 30, o samba ganhou status de música oficial, com a ajuda do Presidente Getúlio Vargas.

Como o povo brasileiro gosta de inventar moda, o samba sofreu diversas influências e criou novas formas. Dentre elas estão o samba-enredo, partido alto, pagode e sambalanço. Com isso, novos artistas foram surgindo. Nomes como Dona Ivone Lara, Jorge Aragão, Beth Carvalho e Paulinho da Viola são referências para o samba contemporâneo. Até mesmo Vinícius de Morais e João Gilberto beberam nessa fonte para criarem a Bossa Nova. Simon Gautschi, suíço, acha legal essas derivações do samba “na Europa a gente acha que samba é só Carnaval, mas quando chega aqui tem outras coisas, tipo Theresa Cristina ou Monobloco, que são muito diferentes, mas é tudo samba”, afirma.

Durante os anos 90, o samba voltou a ficar  marginalizado, porque a indústria do pagode produziu grupos tão comerciais que estavam todos os domingos no Faustão ou no Gugu, cantando suas letras descartáveis. Dentre os exemplos figuram Karametade, Katinguelê, Ronaldo e Os Barcelos “Feliz Aniversário, meu amor…espero que você esteja muito feliz..”, Soweto “Derê, Derêrerê…”, Os Travessos,  entre outras pérolas. 

O início do século 21 trouxe um resgate cultural e o samba voltou a ser valorizado. Com a “nova” Lapa, ele voltou mais estilizado. Surgiram nomes como Theresa Cristina e Grupo Semente, Casuarina, Moyses Marques, que buscam no samba tradicional isnpiração para suas composições.

Em comemoração ao Dia Nacional do Samba acontece há vários anos o “Pagode do Trem”, que sai da Central do Brasil com destino a Osvaldo Cruz, considerado o berço do samba carioca. Os sambistas de todas as classes sociais participam do evento, que esse ano acontece na próxima sexta-feira, 30, às 18h.

“Eu sou o samba (…)

Sou natural daqui do Rio de Janeiro

Sou eu quem levo a alegria
Para milhões de corações brasileiros
Salve o samba, queremos samba”

É isso mesmo: sambemos!

 Maraca

Apesar das diversas combinações de cores em escudos, uniformes e bandeiras, a maioria dos times de futebol brasileiros só tem uma coloração para adjetivar suas contas: o vermelho. Para acabar com o problema, estudiosos, empresários, dirigentes e governo têm buscado diversas soluções. Uma delas é a “Timemania”, loteria parecida com a “Megasena”. O torcedor poderia escolher um clube das séries A, B ou C para a apostar no escudo. Teria também a opção de tentar ganhar com o “Clube do coração”. A proposta, regulamentada em agosto deste ano através de medida provisória, seria uma forma de quitar as dívidas dos times com a união. A participação, porém, não seria obrigatória.

Mas a tão sonhada profissionalização do futebol tem criado polêmicas. No livro recém lançado “Uma bela jogada – 20 anos de marketing esportivo”, escrito por João Henrique Areas, as estratégias traçadas para alcançar os modelos do futebol europeu englobam a melhora na infraestrura dos estádios, acrescentando itens como bares, restaurantes e setores da arquibancada mais caros. Tudo para trazer as classes mais altas para os jogos, e arrecadar mais dinheiro para investir em craques.

Os modelos europeus são um sucesso, e o profissionalismo é importante, mas para o estudante de história da UFRuralRJ, e vascaíno, Flávio Barros, de 20 anos, aumentar o preço dos ingressos é uma medida que pode afastar o público fiel dos jogos.  ”Acredito que o futebol brasileiro precisa realmente se profissionalizar. Alguns clubes já estão no caminho certo, com uma gestão clara, pensando no futuro e não no imediatismo, como São Paulo e Botafogo. O aumento no preço do ingresso seria apenas uma medida paliativa, que pode surtir efeito ou não, além de lesar o publico mais fiel aos estadios”, defende o torcedor. A solução seria investir na estrutura dos clubes, na publicidade e na administração transparente, ao invés de prejudicar o consumidor deste espetáculo.

A análise com uma perspectiva do marketing esportivo mostra que este é um ramo promissor para a indústria e o comércio. O preço alto nos ingressos também poderia ser sinônimo de lucro, e mais seriedade e investimento no esporte. Estes são alguns pontos defendidos pela estudante de Publicidade da PUC-Rio, Isabella Soares Corrêa, de 20 anos. A universitária cursou a disciplina “Marketing esportivo”, e compreende porque a gestão voltada para o lucro é a salvação para os clubes. “Se é para fazer do futebol um esporte de alta competitividade e rendimento, vamos usar os exemplos de sucesso, como a Inglaterra, onde o jogo de uma temporada custa no mínimo 150 euros.Sei que é complicado comparar com o Brasil, por questões econômicas, mas nada seria feito de uma hora para outra. Com a “profissionalização” o país só tem a ganhar. A violência iria diminuir, e o esporte seria mais sério no Brasil, porque para alguns é uma profissão, um emprego, e a associação com o capital é inevitável. No Brasil o marketing esportivo ainda é embrionário, mas na Europa e nos EUA é um dos setores que mais movimenta a economia.É impossível criar uma estrutura eficaz se a renda que um clube ou organização recebe é mínima.”, explica a aluna.

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O Ocidente sempre tentou impor sua cultura, à força ou pacificamente. Com certeza, o Oriente ainda mantém suas tradições vivas, mas o processo de ocidentalização é evidente. Prova disso é o lançamento de uma MTV árabe. Graças à uma pesquisa realizada pelo próprio canal, foi constatado que os jovens árabes simpatizam bastante com a cultura ocidental. Esse interesse foi visto pela MTV como uma porta aberta para entrada do canal no Oriente Médio.

Porém, será tudo adptado. Não pense que clips como os de hip hop com várias mulheres semi nuas e muitas armas serão exibidos lá. Apenas materias adaptados aos gostos e costumes locais serão permitidos, tais como videoclipes árabes e concursos de talentos. A MTV espera que o canal funcione como unificadora cultural nas regiões de conflito e os artistas locais esperam maior conhecimento. A festa de lançamento ocorreu em Dubai no dia 16 de novembro e contou com a presença de vários artistas ocidentais, inclusive o cantor de hip hop Ankon, que provalmente não cantou “I wanna Fuck you”, um de seus maiores sucessos aqui pelo Ocidente.

http://globoesporte.globo.com/ESP/Noticia/Futebol/Selecao_Brasileira/0,,MUL184322-4482,00.html

Mais um jogo fora de casa e mais um empate para a conta da seleção brasileira de futebol. Após uma semana sobre a polêmica “Ronaldinho Gaúcho joga ou não joga”, a partida contra o Peru acabou em 1×1, com a participação do craque do Barcelona.

Depois do gol de Kaká no primeiro tempo, a seleção empacou e permitiu que Vargas empatasse a partida para a seleção Peruana, numa falha do zagueiro Lúcio. Este, inclusive, levou cartão amarelo e está suspenso do jogo contra o Uruguai, quarta-feira, no Morumbi.

Ronaldinho e Robinho passaram o jogo inteiro apagados. Outro que não conseguiu se entender com a bola foi Mineiro. “Eu não entendo como o Dunga convoca o Mineiro com tantos bons jogadores aqui no Brasil. Não consigo ver ele jogando, só sabe tocar de lado, e quando se junta com o Maicon não sai nenhuma jogada”, afirmou o aposentado Adalberto Lopes, 57 anos.

A seleção agora precisa vencer o Uruguai para não complicar a classificação para a Copa de 2010. Em entrevista à Rede Globo, Kaká disse que pretende contar com o apoio da torcida para conseguir um bom resultado no jogo de quarta-feira.

Adalberto Lopes completa dizendo que espera um jogo melhor contra o Uruguai. “Espero que quarta-feira a partida seja mais empolgante. Ou pelo menos que não me dê sono”.

D2 

Fotos: Bibiana Maia 

” Nenhuma pessoa poderá, na data ou depois da data em que entrar em vigor a 18a Emenda à Constituição dos Estados Unidos, fabricar, vender, trocar, transportar, importar, exportar, distribuir, entregar ou possuir qualquer bebida intoxicante exceto aquelas autorizadas por este ato. “ 18ª Emenda a Constituição dos Estados Unidos, em vigor de 1920 a 1933.

Duas medidas curiosas contra a violência mereceram destaque esta semana aqui no “Desce1Lead!”. Durante o evento “PUC pela Paz”, organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), que ocorreu esta semana na PUC-Rio, foi proibido o consumo de bebidas alcoólicas em um show do cantor Marcelo D2. Já a pequena Serra, cidade litorânea do Espírito Santo, baixou um decreto proibindo a venda de bebidas destiladas durante todo o verão de 2008.

O “PUC pela Paz”, reuniu cineclube, painés de debate, e exposições, embalados pelo tema “Gentileza gera gentileza”, lema do falecido Profeta Gentileza. No painel “Universidades construindo a paz”, professores de diversas entidades discutiram a aplicação do conhecimento acadêmico em prol da luta contra a violência. De acordo com a professora Sônia Vanderlei, da UERJ, “as idéias têm que construir a paz sem esquecer a realidade”.

O interessante, porém, foi o show de Marcelo D2. Apesar do apoio do bar “Seu Pires” ao evento, não houve a comercialização de bebidas alcoólicas. Isto um mês depois do “Festival da Primavera”, também organizado pelo DCE, e apoiado pela “Skol” e, de novo, pelo bar “Seu Pires”. “Não estamos vendendo cerveja porque este é um evento pela paz”, explicou uma das organizadoras. Mas o cantor, enquanto esteve no palco, bebeu seguidas latinhas de cerveja, assim como a sua produção. Além disso, algumas pessoas conseguiram “contrabandear” bebidas dentro da mochila.

A apresentação em si não trouxe muitas surpresas. D2, assumido usuário de maconha, cantou hits da carreira solo como “Qual é?” e “Gueto”, “Contexto” e “Até a última ponta”, do Planet Hemp, e “Malandragem dá um tempo”, de Bezerra da Silva. O aluno Luiz Abiel, do 4º período de Publicidade da PUC-Rio, acredita que o show, a ação da organização e o evento em si não combinaram. “Foi ridículo proibir bebida alcoólica no show em que o cara fica cantando apologias sobre maconha. E tudo isso pela Paz.”, disse.

Já o município de Serra, foi mais radical. Decidiu proibir a venda de bebidas alcoólicas destiladas em sua orla durante todo o verão de 2008. A medida, que visa diminuir a violência e a criminalidade, impede que barraquinhas, quiosques, e veículos motorizados vendam destilados em feiras livres e praias, mas não proíbe bares e supermercados. O decreto de número 75.077, entra em vigor dia 4 de dezembro e termina apenas no dia 31 de março.

A única pergunta é, voltamos a usar a Lei seca para combater a violência?

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“Represento os maconheiros mais famosos do Brasil” (SIC)
“Isso aqui é que nem o show da Sandy e Júnior, mas é diferente” (SIC)

O Ministro da Cultura, Gilberto Gil, disse ontem, em entrevista a Folha de São Paulo, que pretende deixar o cargo em 2008. O motivo é um pólipo (calo), na garganta. O ministro já havia passado por uma operação em outubro, mas sua recuperação se tornou difícil porque seu cargo o obriga a falar muito.Gil assumiu o Ministério no primeiro mandato do Presidente Lula, em 2003.

A princípio, Gil foi hostilizado por parte da sociedade, que não acreditava que ele fosse digno do cargo, mas parece que depois ele caiu no gosto popular. “No início ele não era levado muito a sério porque gostava de cantar nos lugares aonde ia”, afirmou Rogério Pita, assessor de imprensa da Prefeitura. “Hoje, ele é respeitado pela sociedade porque se saiu bem dentro da proposta da pasta”, continuou.

Durante seu mandato, ele trouxe debates como o dos direitos autorais, da Lei do Audiovisual e das creative commons, que são licenças para compartilhamento de conteúdo e informação.

Em sua última turnê (a do cd Banda Larga), o ministro autorizou fotos e disponibilizou músicas na Internet. Thiago Santos, estudante, acredita que esse é um caminho alternativo: “Apesar da idade, ele mostra ser progressista. Isso pode ser uma opção”.

Especula-se que seu substituto seja Frank Aguiar, deputado federal pelo PMDB de São Paulo e cantor. Também conhecido como “o cãozinho dos teclados”, ele esteve nas paradas com os sucessos “Lavô tá nova” e “Morangos do Nordeste”. Atualmente é relator do Plano Nacional de Cultura, além de ser amigo de Lula “desde São Bernardo do Campo” (!).

Thiago Santos pensa que o cargo deveria ser ocupado por alguém que “tenha representatividade tanto fora quando dentro do governo, alguém que entenda mais de cultura do que de política”. 

Agora é torcer para que a pasta seja ocupada por uma pessoa que se preocupe realmente com as questões culturais brasileiras, que ainda hoje estão defasadas. Por que, já disse o embaixador Carlos Alves de Souza, “o Brasil não é um país sério”, e a gente pode esperar de tudo.

Queremos agradecer aos quase 3 mil loucos que já nos visitaram, e acalmar os leitores assíduos. Apesar da pouca frequência de posts nas últimas semanas (gente, estamos em final de período e com estágio!) nós ainda resistiremos. Muitas matérias boas estão vindo aí.
E vamos ampliar esse marketing de guerrilha!

Ô Fraterno! Desce1Lead!

BRA 

Os brasileiros têm que contar com mais um problema na crise aérea. A companhia aérea BRA suspendeu seu funcionamento por tempo indeterminado. Todos os funcionários receberam uma carta de demissão prévia, e o presidente da empresa, Humberto Folegatti, pediu demissão sem especificar o motivo.

Além disso, de acordo com a professora de Turismo da UFRuralRJ, Carmelinda da Silva, existe uma incoerência com as declarações que estão sendo divulgadas na mídia. “A BRA comprou aviões da EMBRAER, que é uma das maiores empresas de engenharia aeronáutica do mundo. Como estão dizendo que eles estão sucateados?”

Depois da falência da Varig, a greve dos controladores, e o acidente no aeroporto de congonhas, a população mais uma vez foi pêga de surpresa. Alguns passageiros chegaram a confirmar seus vôos, horas antes de assistirem na televisão a notícia de que a empresa parou de funcionar. 

Com estes acontecimentos, quem perde mais é o setor de turismo. A imagem do Brasil se prejudicou a médio e a longo prazo. Para Carmelinda, vai demorar algum tempo até os passageiros se sentirem seguros novamente. “Isso dificulta o deslocamento em massa, pois os outros meios de transporte não têm como absorver este fluxo, prejudicando o turismo. Os estrangeiros vão procurar outros destinos, e os brasileiros, que poderiam estar viajando, estão preferindo ficar em seus estados.”, explica a professora. 

Tudo isso pode estar sendo acarretado pela queda no turismo brasileiro. Para combater este ciclo vicioso, os hotéis e agências de viagem terão que se unir e usar da criatividade. Algumas das estratégias de incentivo serão o barateamento de passagens e diárias, e a criação de pacotes promocionais e programas de milhagens.

http://globoesporte.globo.com/ESP/Noticia/Volei/0,,MUL168450-4435,00.html

Neste domingo, a seleção feminina de volei derrotou as cubanas na Copa do Mundo, em Hamamatsu, no Japão. O Brasil fechou o primeiro e o terceiro sets por 25 a 19. Já Cuba ganhou o segundo e o quarto. A partida foi decidida no tie-break, com a vitória da seleção brasileira por 15/11. Segundo a líbero Fabi finalmente a derrota para as rivais na final pan-americana foi digerida. “Com essa vitória, finalmente a gente conseguiu engolir o que as cubanas fizeram na final do Pan. Aquela derrota estava engasgada na nossa garganta”, afirmou a jogadora, em entrevista à Rede Globo. Paula Pequeno foi considerada a melhor jogadora da partida, mas deve-se destacar também a atuação de Sheilla e de Fabiana, a cubana brasileira, como alguns comentaristas a chamam. A próxima partida da seleção é terça-feira às 7h05, contra a seleção peruana.

Na Copa do Mundo de futebol de praia, a seleção brasileira estava perdendo para o México por 3×4 até o início do terceiro tempo, mas conseguiu virar o jogo com gols de Junior Negão, Bruno e Benjamin. Com o resultado de 6×4, a seleção se classificou para as quartas de finais.

No Brasileirão, o Cruzeiro bateu o Flamengo por 3×1. Pelo mesmo placar, o Sport derrotou o Palmeiras, deixando mais acirrada a luta pela classificação para a Libertadores. O Corinthians empatou com o Atlético-PR por 2×2 e conseguiu sair da zona de  rebaixamento, pelo menos momentaneamente.  O Vasco perdeu em São Januário para o Internacional, que teve como destaque a volta de Nilmar. Agora o time cruz-maltino tenta uma vaga na Sul-americana. O Botafogo empatou com o lanterna do campeonato América-RN, e deu adeus a chance de se classificar para a Libertadores.

Rodada do Brasileirão

Fluminense 2×1 Náutico

Grêmio 1×2 Figueirense

Santos 2×2 Atlético-MG

Flamengo 1×3 Cruzeiro

Vasco 1×2 Internacional

Corinthians 2×2 Atlético-PR

Botafogo 1×1 América-RN

Sport 3×1 Palmeiras

Goiás 0×1 Paraná

No último dia de 27 de outubro, um menor de 17 anos morreu depois de passar mal e ter uma parada cardiorespiratória, na rave “Tribe” realizada em Itaboraí, Rio de Janeiro, reacendendo as discussões sobre o consumo de drogas neste tipo de evento. O rapaz teria ido escondido dos pais, e usado uma carteirinha de estudante falsa para entrar. Além dele, um jovem de 21 anos morreu em um acidente de carro quando voltava da rave, e 18 pessoas deram entrada em hospitais com sintomas de intoxicação.

Para frear o tráfico de drogas sintéticas populares em eventos de música eletrônica, vereadores estudam um projeto de lei que poderia proibir raves com mais de 12h de duração na cidade maravilhosa, com multa de R$50 mil para quem descumprir a norma.

Mas… proibir esses eventos é o melhor caminho? Será que tudo culpa da “rave do capeta”? Será que não existe comércio de drogas no samba, no baile funk, nas boates, nos shows de rock, reggae, micaretas…?

O “Desce1Lead” conversou com uma jovem freqüentadora para tentar compreender o que se passa na nas raves, sem um olhar tão etnocêntrico como temos visto na grande mídia. Juliana Araujo é estudante do quarto período de jornalismo da PUC-Rio, e começou a ir em raves este ano.

Desce1Lead!: O que mais te atrai em uma rave?
Juliana Araujo: Ouvir e dançar durante muitas horas música eletrônica em lugar bonito na presença de amigos, faz com que eu descarregue todas as minhas energias negativas.

Desce1Lead!: O que você acha da duração do evento?
Juliana Araujo: Para mim o que faz da rave uma rave são as horas de duração. Se não seria uma baladinha comum de final de semana. As horas de duração que te fazem entrar em sintonia com o clima da festa, com a proposta de mergulhar na música eletrônica.

Desce1Lead!:Você bebe ou usa drogas para agüentar o ritmo? Acha necessário?
Juliana Araujo: Antes de ir pra rave sempre rola um aquecimento com umas bebidinhas,mas lá na rave mesmo só água. Não uso drogas e não acho necessário para aguentar a festa. Uns três dias antes da festa procuro regularizar meu sono e no dia durmo a tarde toda antes de sair de casa e me alimento bem também. Na festa tem Chill Out ,um espaço para descanso com almofadas, cadeiras e poofs, e também podemos levar quantas cangas de praia quisermos pra procurar uma sombrinha  e estender pra descansar. Não há necessidades de drogas. Tanto pra entrar em harmonia com a música e o ambiente quanto para aguentar a maratona.

Desce1Lead!: Você já viu comércio de drogas em raves? Se sim, como funcionava?
Juliana Araujo: Na entrada a segurança fiscaliza tudo, olham o que temos em cartucheiras e mochilas,mas as pessoas entram com drogas escondida na cueca/calcinha. O esquema é o mesmo para comprar em qualquer outra festa.Alguém sempre conhece alguém que comercializa, como em qualquer outra festa só pra frisar.

Desce1Lead!:O jornal ”O Dia” noticiou a festa “Tribe” como um “circo dos horrores”. Você concorda com isso? A maioria das pessoas estava drogada?
Juliana Araujo: De fato na Tribe eu vi um número maior de pessoas passando mal devido ao uso de drogas, e isso é consequência de um modismo e uma cultura de que em rave pode tudo, contudo, de Circo, ainda mais dos Horrores, a festa não teve nada. A questão é: não acho que exista se drogar com resposabilidade, droga sempre é droga, seja em muita ou pouca quantidade,mas cada um sabe o que faz com seu corpo e há pessoas que consomem e “seguram sua onda”. Na festa tinham todos os tipos de pessoas, assim como os que não se drogam. Não dava para passar despercebido 18 internações e uma morte por overdose numa rave, mas o jornal “O Dia”, assim como outras mídias, só mostrou um lado da moeda.

Desce1Lead!: Você acredita que a música está sendo colocada em segundo plano?
Juliana Araujo: Acredito que as pessoas que consomem sete, oito, dez comprimidos de ecsatsy como se fossem jujubas, que vão para festa só pra ficarem sem camisa e colocarem fotos no orkut, que não têm a mínima idéia do que está tocando, e quem está tocando é quem coloca a música em segundo em plano. É esse público que passa mal , é internado e se mata nas raves.

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