O Ministro da Cultura, Gilberto Gil, disse ontem, em entrevista a Folha de São Paulo, que pretende deixar o cargo em 2008. O motivo é um pólipo (calo), na garganta. O ministro já havia passado por uma operação em outubro, mas sua recuperação se tornou difícil porque seu cargo o obriga a falar muito.Gil assumiu o Ministério no primeiro mandato do Presidente Lula, em 2003.

A princípio, Gil foi hostilizado por parte da sociedade, que não acreditava que ele fosse digno do cargo, mas parece que depois ele caiu no gosto popular. “No início ele não era levado muito a sério porque gostava de cantar nos lugares aonde ia”, afirmou Rogério Pita, assessor de imprensa da Prefeitura. “Hoje, ele é respeitado pela sociedade porque se saiu bem dentro da proposta da pasta”, continuou.

Durante seu mandato, ele trouxe debates como o dos direitos autorais, da Lei do Audiovisual e das creative commons, que são licenças para compartilhamento de conteúdo e informação.

Em sua última turnê (a do cd Banda Larga), o ministro autorizou fotos e disponibilizou músicas na Internet. Thiago Santos, estudante, acredita que esse é um caminho alternativo: “Apesar da idade, ele mostra ser progressista. Isso pode ser uma opção”.

Especula-se que seu substituto seja Frank Aguiar, deputado federal pelo PMDB de São Paulo e cantor. Também conhecido como “o cãozinho dos teclados”, ele esteve nas paradas com os sucessos “Lavô tá nova” e “Morangos do Nordeste”. Atualmente é relator do Plano Nacional de Cultura, além de ser amigo de Lula “desde São Bernardo do Campo” (!).

Thiago Santos pensa que o cargo deveria ser ocupado por alguém que “tenha representatividade tanto fora quando dentro do governo, alguém que entenda mais de cultura do que de política”. 

Agora é torcer para que a pasta seja ocupada por uma pessoa que se preocupe realmente com as questões culturais brasileiras, que ainda hoje estão defasadas. Por que, já disse o embaixador Carlos Alves de Souza, “o Brasil não é um país sério”, e a gente pode esperar de tudo.