Maraca

Apesar das diversas combinações de cores em escudos, uniformes e bandeiras, a maioria dos times de futebol brasileiros só tem uma coloração para adjetivar suas contas: o vermelho. Para acabar com o problema, estudiosos, empresários, dirigentes e governo têm buscado diversas soluções. Uma delas é a “Timemania”, loteria parecida com a “Megasena”. O torcedor poderia escolher um clube das séries A, B ou C para a apostar no escudo. Teria também a opção de tentar ganhar com o “Clube do coração”. A proposta, regulamentada em agosto deste ano através de medida provisória, seria uma forma de quitar as dívidas dos times com a união. A participação, porém, não seria obrigatória.

Mas a tão sonhada profissionalização do futebol tem criado polêmicas. No livro recém lançado “Uma bela jogada – 20 anos de marketing esportivo”, escrito por João Henrique Areas, as estratégias traçadas para alcançar os modelos do futebol europeu englobam a melhora na infraestrura dos estádios, acrescentando itens como bares, restaurantes e setores da arquibancada mais caros. Tudo para trazer as classes mais altas para os jogos, e arrecadar mais dinheiro para investir em craques.

Os modelos europeus são um sucesso, e o profissionalismo é importante, mas para o estudante de história da UFRuralRJ, e vascaíno, Flávio Barros, de 20 anos, aumentar o preço dos ingressos é uma medida que pode afastar o público fiel dos jogos.  ”Acredito que o futebol brasileiro precisa realmente se profissionalizar. Alguns clubes já estão no caminho certo, com uma gestão clara, pensando no futuro e não no imediatismo, como São Paulo e Botafogo. O aumento no preço do ingresso seria apenas uma medida paliativa, que pode surtir efeito ou não, além de lesar o publico mais fiel aos estadios”, defende o torcedor. A solução seria investir na estrutura dos clubes, na publicidade e na administração transparente, ao invés de prejudicar o consumidor deste espetáculo.

A análise com uma perspectiva do marketing esportivo mostra que este é um ramo promissor para a indústria e o comércio. O preço alto nos ingressos também poderia ser sinônimo de lucro, e mais seriedade e investimento no esporte. Estes são alguns pontos defendidos pela estudante de Publicidade da PUC-Rio, Isabella Soares Corrêa, de 20 anos. A universitária cursou a disciplina “Marketing esportivo”, e compreende porque a gestão voltada para o lucro é a salvação para os clubes. “Se é para fazer do futebol um esporte de alta competitividade e rendimento, vamos usar os exemplos de sucesso, como a Inglaterra, onde o jogo de uma temporada custa no mínimo 150 euros.Sei que é complicado comparar com o Brasil, por questões econômicas, mas nada seria feito de uma hora para outra. Com a “profissionalização” o país só tem a ganhar. A violência iria diminuir, e o esporte seria mais sério no Brasil, porque para alguns é uma profissão, um emprego, e a associação com o capital é inevitável. No Brasil o marketing esportivo ainda é embrionário, mas na Europa e nos EUA é um dos setores que mais movimenta a economia.É impossível criar uma estrutura eficaz se a renda que um clube ou organização recebe é mínima.”, explica a aluna.