Fevereiro 2008


 Por Guilherme Alt

Tricolores do céu e da Terra, como já dizia o sábio, a humildade acaba aqui.

Não sou simplesmente um torcedor fanático, mas um amante. Sim, amante, no real sentido da palavra. Aquele que ama. Amor a quem? Amor ao quê?

Existem várias formas de amar, existem vários tipos de amores, mas todos acabam se convertendo ao mesmo conceito.

O meu amor tem um nome, Fluminense.

Aos olhos de um leigo seria o cúmulo da futilidade. Por que se importar com um time, um clube, ou qualquer outra coisa que não seja você mesmo? Mas para aqueles que amam, não importa o que seja, tudo volta para si. Portanto o meu amor pelo Fluminense representa parte de mim, e por isso, deixa de ser futilidade.

Uma paixão de três cores que há quase 21 anos me fascina pela sua disciplina. É assim desde o dia 17 de março de 1987, quando meu pai já havia traçado o destino que só viria compreender anos depois. Estava destinado a um casamento onde o divórcio não existe. Cresci unido e forte acompanhando atentamente desde pequeno, sem entender ainda a magia que o futebol trazia consigo.

Apenas com 8 anos de idade pude perceber o que era ser Fluminense, o que era pertencer a este seleto e privilegiado grupo de tricolores legítimos e não os similares que vieram a copiar este titulo mais tarde. Seleto sim, porque não é qualquer um que pode compreender a grandeza do clube.

No dia 25 de junho de 1995, o duelo mais importante do futebol mundial, Fla x Flu, seria travado no templo do futebol, o Maracanã. Um palco perfeito para reverenciar o espetáculo da final do Campeonato Carioca, mais charmoso do Brasil.

Lembro-me de acompanhar a partida por um radinho à pilha no condomínio onde morava, em Nova Friburgo. Ao redor dele estava eu, minha irmã, e mais dois amigos. Eu e minha irmã representávamos a torcida do Fluminense e os outros dois a parte indesejada do time Que-Não-Deve-Ser-Nomeado.

O primeiro tempo nos deu uma amostra do que estaria por vir no final, um jogo pegado, com jogadas violentas e com dois gols de vantagem sobre nosso rival. Inexplicavelmente a pilha acabara logo depois do término da primeira etapa, eu estava feliz, mas ao mesmo tempo nervoso. Corremos para dentro de casa a procura de outro radio que pudesse nos acalmar. Mas não achamos nenhum.

A cada minuto sem saber uma noticia do jogo eu entrava em desespero, tinha ouvido 2 gritos de euforia e sabia que não eram de aliados. Veio a noticia que eu não queria ouvir, a partida estava empatada em 2 x 2, estávamos no final do jogo, o resultado só nos daria lamentos e lágrimas.

Foi ai que o sobrenatural se mostrou em verde, grená e branco. Em uma das cenas que jamais esquecerei na minha vida, meu pai enrolado em uma toalha de banho pulava em seu quarto gritado, Fluminense é Campeão. A barriga de Renato Gaúcho condenou o Fluminense à Gloria Eterna. Quando as 109.204 pessoas no Maracanã e todas as outras se lembrarem deste dia dirão: Ah… Aquele Fla x Flu.

No maior Fla x Flu de todos os tempos, vivos e mortos comemoraram, saindo de suas casas e tumbas. Com a benção de João de Deus o Flamengo virou pó… de arroz. Finalmente havia compreendido o verdadeiro valor de ser Fluminense.

carnaval.jpg 

O Carnaval já chegou e muitas discussões marcaram essa semana. Foram realizados debates acalorados sobre as diferentes proibições que o Governo resolveu adotar para o Carnaval 2008.

Começa a vigorar hoje, 1º, a lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas nas Rodovias Federais do país. Essa lei pretende diminuir o número de acidentes causados por pessoas alcoolizadas, que bateu recorde no Sudeste durante o feriado de Ano Novo.

Essa medida havia sido prometida para o lançamento do PAC da Segurança, o Pronasci, em agosto do ano passado, mas foi adiada.

***

A justiça também proibiu de desfilar o carro do Holocausto da Viradouro. O tema da escola esse ano é “É de arrepiar”. O pedido de proibição foi feito pelo presidente da Federação Israelita do Rio de Janeiro, Sérgio Niskier. Ele não pretendia entrar na justiça contra a alegoria, até ser informado que na sinopse do desfile teria uma figura de Hitler em cima do carro.

“Colocar o Hitler sambando em cima de uma alegoria de cadáveres é um tremendo desrespeito com quem sofreu ou ainda sofre com o Holocausto. E o desrespeito acaba caindo na banalização do assunto”, afirmou Niskier em entrevista a CBN.

Paulo Barros, o carnavalesco da escola, resolveu então desmontar o carro e construir outro, com o nome de “Liberdade de Expressão”.

***

A lei municipal 4.563 pretende uma proibição menos polêmica. Ela impede a venda dos sprays de espuma, muito típicos durante o carnaval. A fiscalização nos mercados de rua se intensificou e quem for pego comercializando o produto corre o risco de perder o alvará de funcionamento.

***

Da lista das proibições que foram revogadas, está a da distribuição da pílula do dia seguinte. Em Recife, capital de Pernambuco, o juiz José Viana Ulisses Filho, resolveu liberar a distribuição da pílula do dia seguinte, por considerá-la contraceptiva, não abortiva.

Essa liberação se insere na campanha de distribuição em massa de preservativos, realizada pelo Ministério da Saúde.

E quem foi que disse que o carnaval é a festa da liberdade?

Muito bem. Divirtam-se!