“Ou se calça a luva, ou se põe o anel, ou se põe o anel e não se calça a luva!”

O poema de Cecília Meireles já dizia que na vida temos que tomar decisões. Neste tipo de beco sem saída encontra-se Júlio, um rapaz que não sabe se deixa de namorar com Isabel para ficar com Luísa, ou larga Luísa para ficar nos braços de Isabel. O enredo é da peça “Casa, não casa”, baseada no conto homônimo de Machado de Assis, que estreiou no domingo na Casa de Pedra, que fica no Country Club Tijuca. Quem encena a história é a companhia Cena Zero de Teatro, com direção de Daniel Santamaria, e texto de Jomar Magalhães. Uma boa oportunidade de conhecer mais uma obra do escritor, que, em 2008, completa seu centenário de morte, mas está mais vivo do que nunca.

E se você é daqueles que gosta de ler o original antes de conferir a adaptação, a obra está disponível no seguinte endereço:

http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/fs000187.pdf  

A história vai ficar em cartaz até três de agosto, todos os domingos, ás 19h. O Country Club Tijuca fica na Rua Uruguai, 574, Tijuca. Para mais informações ligue para 2288-2146 ou 2268-1345.

 Por Guilherme Alt

Tricolores do céu e da Terra, como já dizia o sábio, a humildade acaba aqui.

Não sou simplesmente um torcedor fanático, mas um amante. Sim, amante, no real sentido da palavra. Aquele que ama. Amor a quem? Amor ao quê?

Existem várias formas de amar, existem vários tipos de amores, mas todos acabam se convertendo ao mesmo conceito.

O meu amor tem um nome, Fluminense.

Aos olhos de um leigo seria o cúmulo da futilidade. Por que se importar com um time, um clube, ou qualquer outra coisa que não seja você mesmo? Mas para aqueles que amam, não importa o que seja, tudo volta para si. Portanto o meu amor pelo Fluminense representa parte de mim, e por isso, deixa de ser futilidade.

Uma paixão de três cores que há quase 21 anos me fascina pela sua disciplina. É assim desde o dia 17 de março de 1987, quando meu pai já havia traçado o destino que só viria compreender anos depois. Estava destinado a um casamento onde o divórcio não existe. Cresci unido e forte acompanhando atentamente desde pequeno, sem entender ainda a magia que o futebol trazia consigo.

Apenas com 8 anos de idade pude perceber o que era ser Fluminense, o que era pertencer a este seleto e privilegiado grupo de tricolores legítimos e não os similares que vieram a copiar este titulo mais tarde. Seleto sim, porque não é qualquer um que pode compreender a grandeza do clube.

No dia 25 de junho de 1995, o duelo mais importante do futebol mundial, Fla x Flu, seria travado no templo do futebol, o Maracanã. Um palco perfeito para reverenciar o espetáculo da final do Campeonato Carioca, mais charmoso do Brasil.

Lembro-me de acompanhar a partida por um radinho à pilha no condomínio onde morava, em Nova Friburgo. Ao redor dele estava eu, minha irmã, e mais dois amigos. Eu e minha irmã representávamos a torcida do Fluminense e os outros dois a parte indesejada do time Que-Não-Deve-Ser-Nomeado.

O primeiro tempo nos deu uma amostra do que estaria por vir no final, um jogo pegado, com jogadas violentas e com dois gols de vantagem sobre nosso rival. Inexplicavelmente a pilha acabara logo depois do término da primeira etapa, eu estava feliz, mas ao mesmo tempo nervoso. Corremos para dentro de casa a procura de outro radio que pudesse nos acalmar. Mas não achamos nenhum.

A cada minuto sem saber uma noticia do jogo eu entrava em desespero, tinha ouvido 2 gritos de euforia e sabia que não eram de aliados. Veio a noticia que eu não queria ouvir, a partida estava empatada em 2 x 2, estávamos no final do jogo, o resultado só nos daria lamentos e lágrimas.

Foi ai que o sobrenatural se mostrou em verde, grená e branco. Em uma das cenas que jamais esquecerei na minha vida, meu pai enrolado em uma toalha de banho pulava em seu quarto gritado, Fluminense é Campeão. A barriga de Renato Gaúcho condenou o Fluminense à Gloria Eterna. Quando as 109.204 pessoas no Maracanã e todas as outras se lembrarem deste dia dirão: Ah… Aquele Fla x Flu.

No maior Fla x Flu de todos os tempos, vivos e mortos comemoraram, saindo de suas casas e tumbas. Com a benção de João de Deus o Flamengo virou pó… de arroz. Finalmente havia compreendido o verdadeiro valor de ser Fluminense.

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O Carnaval já chegou e muitas discussões marcaram essa semana. Foram realizados debates acalorados sobre as diferentes proibições que o Governo resolveu adotar para o Carnaval 2008.

Começa a vigorar hoje, 1º, a lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas nas Rodovias Federais do país. Essa lei pretende diminuir o número de acidentes causados por pessoas alcoolizadas, que bateu recorde no Sudeste durante o feriado de Ano Novo.

Essa medida havia sido prometida para o lançamento do PAC da Segurança, o Pronasci, em agosto do ano passado, mas foi adiada.

***

A justiça também proibiu de desfilar o carro do Holocausto da Viradouro. O tema da escola esse ano é “É de arrepiar”. O pedido de proibição foi feito pelo presidente da Federação Israelita do Rio de Janeiro, Sérgio Niskier. Ele não pretendia entrar na justiça contra a alegoria, até ser informado que na sinopse do desfile teria uma figura de Hitler em cima do carro.

“Colocar o Hitler sambando em cima de uma alegoria de cadáveres é um tremendo desrespeito com quem sofreu ou ainda sofre com o Holocausto. E o desrespeito acaba caindo na banalização do assunto”, afirmou Niskier em entrevista a CBN.

Paulo Barros, o carnavalesco da escola, resolveu então desmontar o carro e construir outro, com o nome de “Liberdade de Expressão”.

***

A lei municipal 4.563 pretende uma proibição menos polêmica. Ela impede a venda dos sprays de espuma, muito típicos durante o carnaval. A fiscalização nos mercados de rua se intensificou e quem for pego comercializando o produto corre o risco de perder o alvará de funcionamento.

***

Da lista das proibições que foram revogadas, está a da distribuição da pílula do dia seguinte. Em Recife, capital de Pernambuco, o juiz José Viana Ulisses Filho, resolveu liberar a distribuição da pílula do dia seguinte, por considerá-la contraceptiva, não abortiva.

Essa liberação se insere na campanha de distribuição em massa de preservativos, realizada pelo Ministério da Saúde.

E quem foi que disse que o carnaval é a festa da liberdade?

Muito bem. Divirtam-se!

Nem só de desfile de escolas de samba vive o carnaval carioca. Quem não tem dinheiro, nem paciência para assistir o espetáculo do sambódromo, pode comparecer aos diversos blocos de rua que acontecem  em vários pontos da cidade.

Esse ano a folia começou cedo. Desde a segunda quinzena de janeiro já era possível acompanhar os blocos. Muitos já passaram, como: Cordão do Bola Preta, Escravos da Mauá e Simpatia É Quase Amor, todos bastante famosos na cidade. Mas, ainda é possível se divertir atrás de muitas bandas em todo Rio de Janeiro, já que a programação vai até 28 de fevereiro, segundo o site do Bom Dia Rio. Para maiores informações sobre o carnaval carioca é só acessar o site da prefeitura: http://www.riodejaneiro-turismo.com.br/pt/ .

Confira a lista de alguns blocos:

Zona Sul

BANDA BOKA DE ESPUMA
Local de Saída: Rua Marquês de Olinda, entre Muniz Barreto e Bambina – Botafogo
Data de saída: Sábado (03/02) e Domingo (25/02), das 16h ás 22h

BLOCO BG
Local de Saída: Rua Gal Glicério com Laranjeiras
Data de saída: Sábado (03/02), ás 15h

CALMA, CALMA, SUA PIRANHA
Local de Saída: Rua Visconde de Caravelas – Botafogo
Data de saída: Domingo (04/02), das 13h às 18h

EMPOLGA AS 9
1o desfile
Local de saída: Casa da Matriz – Rua Henrique de Novaes, 107 – Botafogo
Data de Saída: Sábado (17/02) , às 18h
2o desfile
Local de saída: Vieira Souto – Posto 9
Data de saída: Domingo (18/02), às 21h

SUVACO DE CRISTO
Local de Saída: Bar Jóia, esquina da Rua Jardim Botânico com Rua Faro
Data de saída: Domingo (11/02), às 13h

Zona Oeste:

BANDA DA BARRA
Local de saída: Avenida Lucio Costa, em frente ao condomínio Beton
Data de saída: Domingo (11/02), às 12h

BANDA ALEGRIA DO RECREIO
Local de saída: Avenida Lucio Costa, No 16800
Data de saída: Domingo (18/02), às 14h

BANDA CARNAVALESCO TOMA TODAS COM MODERAÇÃO
Local de saída: Avenida Lucio Costa, Posto 11
Data de saída: Domingo de Carnaval (18/02), às 15h.

BLOCO CARNAVALESCO TOMA TODAS COM MODERAÇÃO
Local de saída: Avenida Lucio Costa, Posto 11
Data de saída: Domingo (18/02), às 16h.

GRES PRINCESINHA DO RECREIO
Local de saída: Avenida Lucio Costa com Glaucio Gil
Data de saída: Domingol (18/02), às 15h.

Centro:

ACONTECEU
Local de saída: Rua Monte Alegre com Rua Áurea – Santa Teresa
Data de Saída: Sábado (03/02) e 10/02, das 18h às 22h

CORDÃO DO BOLA PRETA
Local de saída: Centro (Cinelândia)
Data saída: Sábado (17/02) às 09h.
Concentração: em frente à sede do Clube Cordão do Bola Preta.

ESCRAVOS DA MAUÁ
Local de saída: Lgo da Prainha, Centro, Pça Mauá
Data de saída: Quinta (15/02), às 19h

KIZOMBA
Local de Saída: Arcos da Lapa
Data de saída: Terça (20/02), às 16h

Zona Norte:

BANDA DO PECHINCHA
Local de Saída: Largo do Pechincha, Taquara
Data de Saída: 10/02, das 17h às 24h

BANDA DO ROQUINHA
Local de Saída: Rua Barão de Mesquita em frente ao Tijuca Off Shopping
Horário de Saída: 09/02/07, das 19h às 24h

BLOCO DA TURMA DA TRAMELA E DO SAMBOLA
Local de saída: Pilares – Rua João Pinheiro c/ Teresa Cavalcanti
Data de saída: Terça-feira (20/02), às 16h

BLOCO DO BAIXO TIJUCA
Local de Saída:Praça Varnhagem em frente ao nº 15
Data de Saída: 04/02 e 20/02/07, das 15h às 22h

CACIQUE DE RAMOS
Local: Esquina da Av Presidente Vargas com Av Rio Branco
Data de saída: Sábado de carnaval (25/02) às 18h
Data de saída: Terça de carnaval (28/02), às 12h
Local: Padaria Chave de Ouro – Rua Dias da Cruz – Meier

Cartaz do filme 

Por Bibiana Maia, Camila Valiati e Francili Costa

A estréia dia 4 de janeiro de 2008 definiu um futuro de sucesso para o filme “Meu nome não é Johnny”, dirigido por Mauro Lima e estrelado por Selton Mello e Cléo Pires. Até a semana passada, o longa estava em segundo lugar no ranking dos dez mais assistidos, com público de aproximadamente 150 mil pessoas, perdendo apenas para “A bússola de ouro”, que levou 903 mil brasileiros ao cinema.

O filme é inspirado no livro “Meu nome não é Johnny” de Guilherme Fiúza, mas sua história é real. Johnny é um jovem de classe média que se torna um dos maiores traficantes do Rio nas décadas de 80 e 90.  Sem nunca ter ido a uma favela, João Estrella fez das boates do asfalto os pontos de venda para o seu comércio. Sua história foi do céu ao inferno quando foi preso em 1995. Hoje Johnny é João Guilherme Estrella, produtor musical de nomes como Ivo Meireles e Funk na Lata, e cantor estreante no cd recém lançado, ”Meu nome é João Estrella”.

A popularidade na bilheteria e entre críticos já era esperada para quem teve a oportunidade de assistir a história antecipadamente. No dia 25 de outubro a produção iniciou um ciclo de projeções em universidades do Brasil inteiro, começando pela PUC-Rio, onde João Guilherme Estrella cursou Comunicação Social. O públicou riu, chorou e aplaudiu com entusiasmo o final.

Em uma conversa com o “Desce1Lead!” depois da projeção, João  Estrella disse que ficou emocionado em ter assistido ao filme pela primeira vez junto com o público, e que atualmente sente medo do mundo de badalações. ”Tudo o que eu fazia era em excesso. Agora, depois de tudo que eu passei, eu tenho medo dessas coisas. Mas eu não me sinto culpado por aquelas pessoas, porque eu não obrigava ninguém a fazer nada, a se drogar.”, disse.

O João do cinema, Selton Mello, explicou a emoção e a liberdade no processo de criação de um personagem que realmente existiu, e que estava ali perto para contar a sua história. Principalmente na cenas marcantes do filme, como o seu julgamento. ”Quando você assiste ao filme, você acredita que algumas coisas só estão ali porque era história mesmo, mas, não, essas coisas aconteceram de verdade. Eu tive mais liberdade pra criar do que o Daniel de Oliveira quando ele fez Cazuza, por exemplo, porque o personagem dele já era conhecido, tinha feito história. No meu caso, eu peguei a atmosfera do João e criei um personagem”, explicou.

Para saber mais sobre o último sucesso do cinema brasileiro acesse:
http://www.meunomenaoejohnnyfilme.com.br/

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Dizem que no Brasil o ano só começa depois do carnaval.
Pudera. 

Em janeiro estamos no auge do verão – onde as temperaturas chegam a 40° – os estudantes estão de férias e o horário de verão faz com que a luz do dia dure até quase 20h. Os bares, calçadas e praias ficam lotados todos os dias da semana.

É no verão que mais se manifesta o “espírito carioca”.  

Aproveitando-se muito bem desse espírito, as atividades culturais pipocam pela cidade. Peças de teatro, exposições e muitos shows para entreter toda essa gente. Tem evento pra todos os gostos e bolsos.  

Os ensaios técnicos na Sapucaí e blocos de carnaval são ótimas pedidas para quem quer se divertir sem gastar muito. 

No próximo sábado, 12, acontecerá um desfile de carnaval de rua promovido pela Fundição Progresso. O evento faz parte do Concurso de Marchinhas de Carnaval (prêmio Lamartine Babo). Lá estarão o Bagalafumenga, Bloco Céu na Terra, Rio Maracatu, entre outros. Tudo de graça.  

“Aqui no Rio tem essa vantagem, a gente pode se divertir sem gastar muito. Sair da praia e ir para o bloco”, afirmou a estudante Luana Dias.   

Tem também o “Verão no Morro” ou o “Oi Noites Cariocas”, que são para o público, digamos, mais abastado.  

Mas a maior novidade mesmo parece ser a Roda Skol, que é uma Roda Gigante instalada no Forte de Copacabana, “com bar temático, projeção, DJ e muito mais”, com preços que não passam de 20 reais, com meia entrada para estudantes (!). O evento vai começar no dia 20 e ficará até dia 9 de fevereiro. Os criadores garantem que o visual é alucinante. Não duvido.  

Pois é, “essa magia colorida”, já diria Marina Lima, parece que só tem mesmo aqui no Rio de Janeiro.  

Maiores informações: 

Verão no Morro:
http://www.morrodaurca.com/

 Oi Noites Cariocas:
http://oinoitescariocas.oi.com.br/ 

Fundição Progresso:
http://www.fundicaoprogresso.com.br/htm/prog-show-desfile-marchinhas.htm 

Blocos de Carnaval:
http://oglobo.globo.com/blogs/blognarua/ 

Roda Skol:
http://www.rodaskol.com.br/main.asp

Ensaios Técnicos da Sapucaí:

Sábado (12) – Porto da Pedra (20h30) e Portela (22h)
Domingo (13) – Mangueira (19h) e Viradouro (21h)
Sexta-feira (18) – Mocidade (21h)
Sábado (19) – São Clemente (19h) e Portela (21h)
Domingo (20) – Grande Rio (19h) e Unidos da Tijuca (21h)
Sexta (25) – Salgueiro (21h) e Vila Isabel (22h30)
Sábado (26) – Imperatriz (21h)
Domingo (27) – Beija-Flor de Nilópolis (teste de som e luz, 19h).

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Fotos: Bibiana Maia 

Em Estância de Atibaia, município no interior de São Paulo, o fim do ano é uma época de resgate para o folclore local. As festividades conhecidas como ”Ciclos Natalinos” têm mais de 150 anos, e ocorrem de 25 de dezembro a 6 de janeiro. Neste período, se celebram com cavalhadas, procissões e congadas, do nascimento de Jesus ao Dia de Reis. Não existe idade para fazer parte, toda a população se envolve e torna a festa mais bonita para turistas e visitantes de cidades vizinhas.

Edson Beleza, de 47 anos, é professor de educação artística e festeiro desde a infância. Ele conta que, para fortalecer o folclore regional,  no último dia de festa acontece um encontro de congadas. “Tudo começa no dia 25 com o levantamento dos matros às 15h, e a procissão do Menino Jesus. Dia 26 tem uma cavalhada,  e dia 27, dia de Nossa Senhora do Rosário, desfilam as congadas.  O dia de São Benedito, dia 28, é a apoteose da festa. Dia 6 é o Dia de Reis. Os mastros descem, e acontece o encontro de congadas. Vem em torno de 45 congadas da região até Minas Gerais.”, disse o festeiro.

No dia 27 de dezembro as congadas da região desfilaram no centro de Atibaia. Cada congo possuía uma cor e as roupas eram enfeitadas com fitas e medalhinhas. Todo ano se escolhe a rainha de cada congo, e ela desfila com uma faixa parecida com as que as “misses” usavam. “Essas roupas que eles vestem são as fardas. No tempo dos escravos cada cor representava uma fazenda. Os donos das fazendas vinham pra cidade passar o natal, e depois que eles ceiavam os escravos tinham uma folga para fazerem a festa deles. Os congos usavam as jóias e roupas emprestadas pelos senhores, hoje em dia se usam bijouterias e fuxicos.”, explica Edson Beleza.

Galeria de fotos

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Flores, fogos, roupas brancas, rituais, contagem regressiva e, enfim chega 2008.

Fogos

Todos se abraçam, desejam saúde, paz, sucesso e harmonia. Pessoas prometem emagrecer, parar de fumar, estudar mais, arrumar um namorado. A maioria tem muita esperança de que o próximo ano será mais legal do que o que passou.

Até que chega dia 2 e a rotina se normaliza. Bem vindo de volta à realidade.

Voltar de viagem, voltar ao trabalho e aos problemas que foram abstraídos durante o final de ano. As faturas das dívidas que o “espírito natalino” te fez fazer começam a chegar.

Aí vem o noticiário com as novas velhas notícias do governo: para compensar o fim da CPMF no ano passado, em 2008, o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) vai sofrer um aumento de 1,5% ao ano, além da cobrança de 0, 38% nas operações internacionais com cartões de créditos, nas receitas e despesas externas com a prestação de serviços. Isso constituirá um aumento de 10 bilhões na arrecadação.

Um corte de 20 bilhões no orçamento também será discutido em fevereiro quando acontecerá o Orçamento 2008. O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, garante que a saúde e os programas sociais não sofrerão cortes.

E fica a esperança de que esse ano os políticos deixarão de roubar, que a violência vai diminuir, que o desemprego sofrerá uma queda e que a qualidade de vida aumentará.

 

Tá bom, isso seriam milagres de Ano Novo.

Mas não custa acreditar que eles podem acontecer.

Feliz 2008 a todos!    

O fim de ano é a época em que todos as pessoas se tornam legais. Seu chefe te dá uma lembrancinha, seus inimigos mandam cartões de natal e as grandes emissoras colocam artistas catando musiquinhas grudentas em um só coro.

Pausa. Este texto tem um caráter pessoal, e não quero que pensem que existe aqui a tão polêmica imparcialidade jornalística.

Voltando. É uma época em que a alegria reina, mesmo que seu vizinho esteja espancando a mulher e você escute.

Neste clima de extrema felicidade e esperança, milhares de pessoas trabalharam em busca de uma grana extra, ou de um emprego que poderia se tornar fixo. Eu fui uma delas. Me vendi ao sistema para conseguir um capital para viajar nas férias, e o que vivi foi algo parecido com a senzala, se me permitem o drama.

Fui auxiliar de loja. Mas…o que diabos é isto? É um funcionário faz-tudo que tem um nome bonito. Eu arrumava araras, dobrava roupas e até varri o chão. E a jornada de trabalho? De 10h às 10h, se eu não tivesse reclamado e chegado atrasada quase todos os dias. E almoço? Me tornei a típíca trabalhadora brasileira que leva quentinha na bolsa. No máximo tinha um microondas, uma geladeira, água e uma hora pra comer tudo e sentar um pouco. Isso mesmo, sentar, porque o dia inteiro eu ficava em pé.

Não trabalhei no interior, foi na área metropolitana mesmo, em uma rede de lojas de roupa feminina bem conhecida. Presente nas zona norte, oeste e sul da cidade. E todo o tipo de gente e bolso comprava lá.

Certo dia escutei na rádio CBN, enquanto ia para o “emprego”, que o Ministério do Trabalho tinha proibido as maratonas de 24h de shoppings abertos para que não ocorresse a corrida por comissões a exploração desenfreada. Eu dei uma gargalhada e as pessoas do metrô me encararam como se eu fosse louca, dá para acreditar? Loucos, ou incompetentes, são estes fiscais do Ministério do Trabalho que não fazem o mínimo de esforço de passear pelo comércio em dezembro. Porque é mais fácil acreditar em papai noel do que achar que os patrões pagam hora extra e respeitam as leis trabalhistas.

E viva a escravidão permanente de quem tem que trabalhar muito para ganhar pouco.

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“A vida não me vem pelos jornais nem pelos livro
Vinha da boca do povo
na língua errada do povo
Língua certa do povo
Por que ele é que fala gostoso o Português do Brasil”

(“Evocação do Recife” Manuel Bandeira) 

 [Baseado em fatos reais] Guilherme dos Santos Junior 01/12/2007 

Ainda me lembro como se fosse hoje… Naquela ensolarada manhã de quarta-feira do dia sete de novembro desse ano. Era o meu dia D. O dia que mudaria a minha história. Antes dele eu era apenas um alguém vivendo entre faculdade, trabalho e casa. Depois, eu iria mudar meu mundinho. Estava prestes a sair da minha bucólica vida para morar fora do país com o propósito de estudar e trabalhar fora por apenas quatro meses, mas tempo o suficiente para realizar esse desejo. Tudo de maneira legal, sem precisar me esconder ou contar historinhas tristes para alguém com o propósito de me aceitarem clandestinamente. Estava muito entusiasmado com a possibilidade de poder conhecer outras culturas, onde as oportunidades de crescimento eram absolutamente impensáveis. Entretanto, a escolha do país não tenha sido muito feliz, Estados Unidos. 

Esse era o destino que queria ter nas minhas férias de verão, hoje em dia o inglês é um idioma que te dá status e quando se estuda em seu país de origem é ainda melhor, porém, havia um obstáculo que estava bem a minha frente. Através dele que saberia se eu iria realizar esse desejo ou não, o tão temido consulado. Levei todos os documentos necessários. Fui com minha melhor roupa descartando um simples detalhe de ter chegado alguns míseros minutos atrasados. O que não influenciou na entrevista para a obtenção do visto.

Eis que o dia D estava apenas começando e me propondo um futuro promissor. Sabia que a entrevista era feita com um nativo e que não falava português. Até aí tudo bem. Até porque tinha investido minhas economias pagando uma professora particular de inglês só para eu não dar bobeira na hora da entrevista. A imagem que eu tinha dos entrevistadores era a que eu já tinha ouvido em lendas que circulam o tenebroso prédio da embaixada americana. Iria ser entrevistado por uma pessoa antipática na certa! Pois bem, me preparei dias antes e estava contando com todas as ajudas possíveis. Desde patuá até mandingas que os feiticeiros do candomblé dizem dar certo.

É chegada à hora, peguei minha senha, sentei na cadeira de espera em frente ao painel que me informaria para qual guichê teria que me direcionar e então ter a tão esperada entrevista. Chegando ao guichê, me deparei com o tal velho, ou melhor, a tal velha rabugenta que tanto falavam. Era daquele jeito que todos diziam, testa enrugada, bochecha enrubescida, cabelos grisalhos e nada, mas nada simpática e, para completar, era extremamente impaciente. Eu achava que o fato de ser entrevistado por uma mulher, seja em uma entrevista para emprego ou algo além, tudo se tornaria mais leve e confortável.  A mulher sempre teve a delicadeza como personalidade principal dentre várias outras qualidades daquelas que confortam os homens mais aflitos nos momentos mais nervosos. Que nada!  Com essa senhora, era diferente. A mulher era a rispidez em pessoa, “o cão chupando manga”. Ali, deixei de acreditar nos mitos que faziam sobre os americanos e passei ter certeza que tudo era verídico. São um bando de antipáticos prepotentes que se acham estar acima de tudo e de todos.

Logo que eu entrei, ela mandou colocar “my rigth finger” num aparelho eletrônico para deixar minha impressão digital do dedo polegar direito. Inquieta, me mandou trocar a mão e por o polegar esquerdo no aparelhinho. Era uma espécie de ritual de identificação, o começo de um julgamento onde você é julgado por um crime que não cometera. Foi tudo o que entendi até então. A senhora americana de cabelos alvos estava preste a me metralhar com perguntas ultracabeludas atenta em encontrar uma brecha onde pudesse descobrir uma maneira de negar meu visto.

E em cinco minutos vi meu sonho se desfazendo como uma montanha de dunas em plena tempestade de areia. Não entendia bulhufas que aquela velha antipática dizia, nem ela o que eu falava. Ela fazia gestos, eu respondia mostrando documentos. Quando não entendia o que eu estava querendo falar, me interrompia me deixando irritado e partia para uma nova e complexa pergunta. A entrevista parecia mais uma aula de expressão corporal.

Eu gesticulando daqui, ela respondendo de lá, entretanto não havia sincronia. A entrevistadora me lançava uns olhares gélidos enquanto observava meus documentos já me condenando a permanecer por aqui.

Veredicto final: “Your visa was denied!” Naquele momento pigarreei com intuito de engolir a saliva que teimava em me incomodar. Percebi ali, que o pigarro não tiraria meu incomodo e como já estava prevendo, foi tudo por água abaixo. Um projeto de anos se desintegrando em poucos minutos. O mundo caiu sobre minha cabeça. Tinha sensação de ter recebido de um médico urologista a notícia que um câncer de próstata, descoberto há pouco tempo, tenha retalhado as minhas possibilidades de viver nada mais que dois meses. Tudo por água abaixo. Fui condenado a viver em uma prisão sem grades em solo brasileiro de onde não poderia tentar outro visto nos próximos seis meses.

Erro de comunicação? Deveria ter me expressado melhor? Literalmente falando, perdi o visto por“ não falarmos a mesma língua.”   

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